Um em cada dez portugueses idosos tem arritmia cardíaca

Estudo SAFIRA

28 abril 2016
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Um em cada dez portugueses com mais de 65 anos tem arritmia cardíaca. No entanto, mais de um terço não sabe que sofre desta condição, que pode conduzir ao um acidente vascular cerebral (AVC), e a maioria está mal medicada, dá conta o estudo SAFIRA (“System of AF evaluation In Real world Ambulatory patients”).
 

Os resultados preliminares, apresentados no Congresso Português de Cardiologia, apontam para um grande subdiagnóstico, já que, de entre os 9% dos casos em que se detetou fibrilhação auricular (arritmia que pode provocar a oclusão do sangue na aurícula e consequente formação de coágulo, que se solta provocando AVC ou embolismo), 35,9% desconheciam ter a doença.
 

Por outro lado, 18,6% dos doentes não diagnosticados apresentavam um tipo de fibrilação auricular (FA) não detetável no eletrocardiograma, sendo identificada apenas por outros exames, “o que sublinha a importância de uma investigação mais prolongada dos sintomas, nomeadamente na população mais idosa”, refere o estudo ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

O estudo indicou também que existe um subtratamento, pois mais de metade dos doentes (56,3%) não estavam anticoagulados e, dos que estavam, 74,2% estavam mal medicados. Há também um problema de polimedicação, já que o número mediano de fármacos prescritos a estes doentes é de 4,8, o que corresponde à toma de 6,7 comprimidos por dia.
 

De acordo com o coordenador do estudo, Pedro Monteiro, “estes resultados mostram os enormes desafios ainda existentes na identificação e gestão da FA e risco cardiovascular e constituem um importante alerta para a otimização das estratégias de controlo da doença e promoção da saúde neste setor da população”.
 

O investigador considera da “maior importância” ter um conhecimento real dos padrões de prevalência da FA em Portugal, para se poderem criar e desenvolver “estratégias de diagnóstico, tratamento e controlo de risco realistas e eficazes”.
 

No que respeita à adesão terapêutica, quase metade dos doentes (45,1%) considera que o fator mais importante é a segurança, ao passo que 35,6% apontam a eficácia, 12,8% o custo e apenas 6,7% valorizam a comodidade posológica. Apenas 4,8% dos doentes medicados com novos anticoagulantes orais admitiram ter descontinuado o tratamento devido ao preço. O estudo foi desenvolvido entre 2014 e 2015 e envolveu 7.500 portugueses com 65 ou mais anos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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