Um copo por dia dá saúde e alegria

Consumo moderado de álcool previne patologias coronárias

12 março 2001
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Segundo alguns estudos epidemiológicos beber pequenas quantidades de álcool, nomeadamente vinho tinto, diminui o risco do desenvolvimento de doenças coronárias, mas a razão por detrás desta constatação era até ao momento desconhecida. Um novo estudo sugere que a ingestão moderada de álcool (1 a 2 copos de vinho diários) poderá diminuir a inflamação nas artérias coronárias.
 

 

Para justificar estes dados epidemiológicos muitos investigadores apontaram propriedades de “anti-agregante plaquetar”, e uma capacidade em elevar o nível de HDL (“bom” colesterol) sanguíneo como possíveis explicações para os benefícios do consumo moderado de álcool.
 

 

Na edição do passado dia 10 da revista “The Lancet”(vol. 357 pág. 763-767), investigadores alemães afirmaram que o álcool em quantidades moderadas, terá propriedades anti-inflamatórias que serão responsáveis pelos efeitos positivos na saúde.
 

 

Uma equipa liderada pelo Dr. Armin Imhof do Centro Médico da Universidade de Ulm (Alemanha) correlacionou hábitos alcoólicos e condição cardíaca de 781 homens e 995 mulheres, com idades compreendidas entre o 18 e os 88 anos.
 

 

Os investigadores descobriram que as pessoas que consumiam bebidas alcoólicas com moderação apresentam um nível sanguíneo inferior de um mediador inflamatório conhecido como Proteína C Reactiva (PCR), em comparação com abstémicos ou alcoólicos. Este componente está directamente relacionado com a resposta inflamatória orgânica, sendo uma resposta normal do corpo à “lesão”, mas que em excesso pode danificar certos tecidos. Alguns investigadores correlacionaram níveis altos de PCR com uma maior propensão para o desenvolvimento de doenças coronárias.
 

 

Este estudo demonstra que a ingestão moderada de álcool se relaciona com níveis baixos de PCR mesmo quando outros factores de risco para a doença coronária estavam presentes, tais como obesidade, altos níveis de colesterol ou o hábito de fumar. Pessoas que não beberam álcool ou que abusaram da sua ingestão, apresentavam níveis mais elevados da PCR.
 

 

A American Heart Association alertou recentemente os médicos para os perigos de enfatizarem o álcool como protector cardíaco no lugar de recomendarem exercício físico e dietas ricas em frutas e vegetais. Ao mesmo tempo apontou para os riscos cardíacos subjacentes ao consumo de bebidas alcoólicas destiladas, ou à ingestão de mais de 2 copos de uma bebida alcoólica não destilada por dia. Segundo a mesma associação os consumidores de vinho tendem a exercitar-se mais, o que poderá explicar o relação entre o consumo de vinho e uma melhor condição cardíaca.
 

 

 

Fonte: Reuters
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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