Um copo já é suficiente para prejudicar raciocínio

Pequenas quantidades de álcool afectam a capacidade mental

12 novembro 2002
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«Só um copo não faz mal». Esta é uma frase que costumamos ouvir com frequência, em especial, em festas ou eventos onde o apelo ao consumo de álcool seja maior.
 

 

Mas, segundo um estudo recente, essa ideia está completamente errada. A investigação, dirigida por K. Richard Ridderinkhof, professor das Universidades de Amsterdão e de Leiden, Holanda, concluiu que uma única dose de álcool já é suficiente para prejudicar a capacidade de raciocínio de uma pessoa, em especial em detectar erros rapidamente.
 

 

Ridderinnkhof testou os 14 voluntários, todos homens, em três fases distintas, após o implante dos sensores electrónicos na cabeça: na primeira, os homens ingeriram um placebo; na segunda, uma única dose de bebida alcoólica; na última, várias doses.
 

 

Na sequência, os voluntários foram submetidos a um teste de computador que exigia raciocínio rápido e avaliação instintiva.
 

 

Mesmo o consumo de uma única bebida alcoólica levou à detecção rápida de mudanças no cérebro. Os investigadores concluíram que mesmo «pequenas doses» de álcool já são suficientes para afectar a capacidade mental do homem em reconhecer e corrigir erros.
 

 

A quantidade de álcool dada aos voluntários variou de acordo com o peso dos mesmos, mas sempre com 37,5 por cento de teor alcoólico. As bebidas foram consumidas num espaço de 20 minutos.
 

 

No estudo, publicado na edição on-line da revista Science, a equipa de Ridderinkhof explicou que os testes, aplicados no computador, envolviam uma flecha e um alvo.
 

 

Ao lado das flechas apareciam outras, que poderiam apontar tanto para a direcção certa como para a errada. O desafio era ignorar as flechas que apareciam na tela do computador só para distrair a atenção e apertar correctamente as teclas que as enviavam para a direita ou para a esquerda.
 

Para mandar a flecha para a esquerda, o voluntário tinha de apertar uma tecla operada pela mão esquerda, enquanto que para a direita, era preciso usar a outra mão.
 

 

Após consumirem apenas o placebo, os voluntários apresentaram uma taxa de erro de 4,8 por cento. No entanto, essa margem subiu para 19,8 por cento após terem tomado o primeiro copo, que também provou um aumento do tempo necessitado pela pessoa para decidir qual a resposta correcta.
 

 

A avaliação das ondas cerebrais revelou que doses pequenas de bebida afectam rapidamente a região do cérebro que influencia os processos de pensamento e a detecção inconsciente do erro.
 

 

Ou seja, a ingestão de uma dose de álcool poderia confrontar um motorista a não percebesse um imprevisto, como uma criança que se atravessasse repentinamente à frente do carro, observaram os investigadores.
 

 

Para o professor de psiquiatria Henri Begleiter, da Universidade do Estado de Nova Iorque, o estudo mostra algo até então desconhecido sobre a sensibilidade do cérebro ao álcool. «Mesmo um nível pequeno de álcool pode prejudicar a resposta».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

 

 

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