Um bom amigo pode mantê-lo longe do médico

Amizade e família influenciam saúde e longa vida

06 maio 2002
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«Ser saudável ou viver mais anos não é simplesmente uma questão de ter bons hábitos de saúde ou bons cuidados médicos». Quem o afirma é Ichiro Kawachi, médico da Escola de Saúde Pública de Harvard em Boston, Massachusetts. Para este especialista, autor de um estudo sobre relações sociais e doença cardíaca, os homens que têm muitos amigos, parentes e outros laços sociais podem ter uma vida mais longa e mais saudável comparados com as pessoas que vivem isolados.
 

 

«O isolamento social é um factor de risco para a saúde que merece tanta consideração quanto outros factores para as doenças cardiovasculares e outros males», sublinhou o especialista.
 

 

«Um bom amigo pode mantê-lo longe do médico», afirmou o investigador à Reuters. A afirmação assentou na análise de 28.369 homens, na faixa dos 42 aos 77 anos. Ao longo de 10 anos, a equipa liderada por Kawachi, que também é director do Centro para Sociedade e Saúde de Harvard, analisaram o efeito das relações sociais sobre doenças cardíacas e morte.
 

 

Cerca de metade dos homens avaliados, ou seja quase 14 mil - relataram pertencer a grandes redes sociais que incluíam a mulher, muitos amigos e parentes, e/ou o envolvimento em grupos comunitários.
 

 

Durante o estudo, 1.365 homens morreram de doença cardíaca, cancro ou alguma outra causa, segundo o artigo publicado na edição de abril da revista American Journal of Epidemiology.
 

 

Isolamento e morte
 

 

Ao invés, os homens mais isolados socialmente tinham quase 20 por cento mais risco de morrer de qualquer outra causa comparados com os restantes que possuíam uma forte rede social.
 

 

Os menos integrados na sociedade apresentaram uma propensão de cerca de 53 por cento a morrer de alguma causa associada ao coração, comparados os que tinham o maior número de laços sociais.
 

 

Mais. Os números também revelaram que os mais solitários registraram um risco duas vezes maior de morrer em acidentes ou de cometer suicídio.
 

 

Mais de 1.800 casos de doença cardíaca foram diagnosticados durante o estudo, incluindo 239 mortes ligadas a cardiopatias ou morte súbita do coração. Segundo o estudo, cerca de 82 por cento das pessoas isoladas socialmente apresentaram um risco maior de morrer devido a alguma doença cardíaca do que os outros.
 

 

Casados mais protegidos
 

 

De modo geral, o estudo também verificou que os homens casados tinham um risco menor de morrer vítimas de qualquer causa e um risco duas vezes menor de morte por acidentes e suicídios.
 

 

Mas o casamento parece não ser a única relação que protege contra os males de saúde. Aponta a investigação que os homens pertencentes a algum culto religioso, bem como aqueles que gastavam 11 horas semanais em algum tipo de grupo social, também parecerem estar mais protegidos contra todas as causas de morte.
 

 

Embora o estudo tenha sido efectuado em homens, segundo os investigadores, estas descobertas podem ser aplicadas às mulheres. Por isso, Kawachi lança um aviso aos médicos de família e assistentes sociais para prestar atenção à situação social dos seus pacientes, assim como observar os níveis de colesterol ou de tensão arterial.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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