Um Bilhete de Identidade feito de genes

O material que melhor identifica o Homem

12 novembro 2001
  |  Partilhar:

Mais do que a fotografia ou a impressão digital, os genes são o material que melhor identifica o Homem, servindo tanto para denunciar um criminoso entre milhões como para diferenciar um recém-nascido de todos os outros.
 

 

Saliva, unhas e cabelo podem ser os materiais a partir dos quais todos os portugueses vão ser identificados no futuro, se a ambição governamental de criar uma base nacional de ADN (ácido desoxirribonucleico) avançar.
 

 

Identificar as vítimas irreconhecíveis de um acidente através do sangue ou apanhar um criminoso por um fio de cabelo deixado para trás são possibilidades que os testes de ADN trouxeram à Justiça há mais de uma década.
 

 

Em Outubro, o primeiro-ministro António Guterres anunciou no debate mensal na Assembleia da República a intenção do Governo de «actuar em conjunto com o Parlamento na criação de uma base nacional de ADN».
 

 

Esta base serviria para identificação civil e para efeitos de registo criminal, estando afastada a hipótese da sua utilização para realizar testes genéticos à revelia dos indivíduos, que poderiam, por exemplo, revelar a sua predisposição para determinadas doenças.
 

 

Sendo um projecto ainda sem «data marcada», o secretário de Estado da Justiça, Diogo Machado, afirmou à Agência Lusa que poderá ser benéfico «se Portugal se tornar activo e fizer 10 ou 15 anos antes o que inevitavelmente terá de fazer mais tarde».
 

 

«A primeira preocupação é democratizar o debate sobre o uso da genética porque o medo e a ignorância combatem-se sabendo e discutindo», disse, sublinhando a importância de realçar as boas aplicações da disciplina em vez de enfatizar os medos que a rodeiam.
 

 

Colocar todos os portugueses nesta base de dados levaria, segundo Diogo Machado, o tempo do «período global de renovação do Bilhete de Identidade», ou seja, entre cinco a dez anos.
 

 

O custo de cada tipagem genética ronda actualmente os dez mil escudos, de acordo com Francisco Corte-Real, vice-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal.
 

 

Por estes valores, uma base de dados de todos os portugueses custaria ao Estado cerca de cem milhões de contos.
 

 

No entanto, uma encomenda de quase dez milhões de testes poderia fazer com que os custos diminuíssem substancialmente.
 

 

Além disso, sublinhou Diogo Machado, o Estado já gasta mais de 1.300 escudos em cada Bilhete de Identidade, um valor que deverá subir com a introdução do cartão de identificação global.
 

 

Por enquanto, o executivo está a acompanhar as experiências internacionais nestes campos, nomeadamente as da Islândia (350.000 habitantes) e da Estónia (1,4 milhões) que já possuem bases genéticas nacionais, embora para outros fins.
 

 

Muitos outros países estão a proceder à identificação genética dos seus criminosos.
 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.