Ultrapassar o medo nem sempre é fácil

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

02 outubro 2012
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A resposta dos adolescentes ao perigo e medo permanece forte, mesmo após a situação ameaçadora ter já ocorrido, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

A aprendizagem do medo é um processo adaptativo que se adquiriu ao longo da evolução, de forma a responder adequadamente ao perigo. No âmbito das doenças psiquiátricas o medo é algo persistente que tende a estar persente mesmo após a situação perigosa e receosa já ter ocorrido.
 

As crianças e os adolescentes têm sido cada vez mais diagnosticados com distúrbios de ansiedade, contudo não existem dados sobre as taxas de sucesso das terapias atualmente utilizadas, como o da terapia da exposição.
 

Neste estudo os investigadores Weill Cornell Medical College, nos EUA, convidaram os participantes, incluindo adultos, adolescentes e crianças, a utilizar audiofones e um dispositivo para medir a quantidade de suor, enquanto visualizavam num monitor de um computador uma série de quadrados azuis e amarelos. Um dos quadrados azuis estava associado a som incomodativo.
 

Os investigadores observaram que na presença da imagem com som desagradável houve uma maior produção de suor, o que significa que os participantes desenvolveram medo ao som. No dia seguinte os participantes visualizaram de novo as mesmas imagens, mas desta vez sem o som desagradável.
 

O estudo apurou que ,contrariamente às crianças e adultos, os adolescentes não apresentaram uma diminuição da resposta ao medo.
 

Experiências realizadas em ratinhos conduziram a resultados semelhantes. Foi verificado que nos animais adolescentes o sentimento de medo permanecia inalterado ,mesmo após o que o motivou ter desparecido. O estudo apurou que contrariamente aos ratinhos mais jovens e adultos, os ratinhos adolescentes não apresentavam atividade numa zona do cérebro envolvida na eliminação da associação ao medo.
 

Um dos autores do estudo, Siobhan S. Pattwell, referiu que estes resultados poderão ajudar explicar o motivo pelo qual os epidemiologistas têm encontrado picos de distúrbios de ansiedade durante a adolescência ou pré-adolescência.
 

Os autores do estudo concluem que é necessário investigar abordagens personalizadas para os tratamentos do medo e dos distúrbios de ansiedade dos adolescentes. No entanto, acreditam que já identificaram uma forma de ajudar os adolescentes a tornarem-se mais resilientes relativamente ao medo vivido na adolescência e impedir o aparecimento da ansiedade e depressão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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