Tumores hereditários dependem também de factores externos
17 dezembro 2001
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Os tumores hereditários necessitam de outras alterações genéticas para se desenvolverem, além do gene mutado que se herda, segundo uma investigação internacional que oferece novas perspectivas sobre dez por cento dos casos considerados cancros familiares.
 

 

O estudo, dirigido por um investigador espanhol do Laboratório de Epigenética do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), e publicado no sábado na revista Human Molecular Genetics.
 

 

Cerca de dez por cento dos tumores considerados cancros familiares são determinados pela herança de um gene mutado, como é o caso do cancro da mama com o gene BRCA1 ou o cancro de cólon quando se trata do gene hMLH1.
 

 

Até à data, os cientistas consideravam que a presença destas alterações genéticas eram suficientes para que a doença se desenvolvesse.
 

 

Algumas diferenças
 

 

No entanto, o trabalho dirigido por Manuel Esteller, em colaboração com quinze centros de investigação de todo o mundo, demonstrou que é necessário que se produzam outras alterações de carácter epigenético, ou seja, exteriores à sequência do ADN (ácido desoxirribonucleico).
 

 

"Para que se desenvolva um cancro familiar, além da presença do gene mutado, é necessária a desactivação de outros genes supressores de tumores mediante um mecanismo conhecido como metilação", explicou Esteller.
 

 

Esta acumulação de alterações epigenéticas explica em parte as diferentes expressões da doença em indivíduos que manifestam a mesma mutação genética, em função do número e do tipo de genes silenciados por metilação.
 

 

Descobertas importantes
 

 

As consequências clínicas desta descoberta são importantes já que, ao supor que os tumores hereditários se comportam de forma semelhante aos que o não são, implicam que possam ser usadas as mesmas técnicas diagnósticas, que possibilitam a detecção precoce e se possa proceder à quimioterapia.
 

 

Segundo Esteller, "a presença de alterações epigenéticas permite saber que, uma vez identificada a lesão genética inicial, ainda existe uma margem temporal para instaurar tratamentos preventivos com o objectivo de evitar o aparecimento do tumor ou detectá-lo em etapas muito precoces".
 

 

Ou seja, explicou, "não basta herdar um gene mutado para desenvolver o cancro, são necessárias outras alterações epigenéticas posteriores que são geralmente consequência de agentes externos como o tabaco, a dieta, a exposição a certas substâncias químicas cancerígenas ou à luz solar, entre outros".
 

 

Outra possibilidade que se coloca à luz das conclusões do novo estudo é a de desenhar uma estratégia terapêutica destinada a produzir a desmetilação dos genes supressores de tumores silenciados, de modo a que estes voltem a exprimir-se provocando a regressão do tumor.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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