Tumores continuam a crescer mesmo após as células envelhecerem

Estudo publicado na “PLoS Computational Biology”

30 janeiro 2012
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Os tumores continuam a crescer mesmo quando as células envelhecem, dá conta um estudo publicado na “PLoS Computational Biology”.

 

Tendo em conta que as células tumorais crescem indefinidamente, a comunidade científica acredita que a senescência pode atuar como uma barreira contra o crescimento tumoral e poderá ser utilizada na terapia contra o cancro.

 

Neste estudo, os investigadores da universidade de Milão, em Itália, decidiram analisar a associação entre o melanoma e a senescência, um processo natural de envelhecimento celular no qual as células perdem a capacidade de proliferar.

 

Os investigadores observaram a evolução de uma população de células de melanoma, monitorizando o número de células senescentes, e verificaram que havia um abrandamento do crescimento na maioria das células que se tinham tornado senescentes após três meses. Contudo, o crescimento não foi interrompido e acabou por ser retomado à sua taxa inicial até as células senescentes terem quase desaparecido.

 

Posteriormente os cientistas aplicaram um modelo matemático tendo por base a hipótese das células estaminais cancerígenas, em que um grupo de células cancerígenas se multiplicam indefinidamente, e portanto, não serão afetadas pela senescência. Estas células estaminais cancerígenas produzem uma grande população de células tumorais, que só têm capacidade de se replicar um determinado número de vezes. O modelo confirmou, indiretamente, que as células estaminais cancerígenas estavam presentes no melanoma, uma questão que ainda continua a ser controversa para a comunidade científica.

 

O estudo conclui que, apesar de uma grande percentagem de células tumorais serem suscetíveis à senescência, a indução deste processo não é uma estratégia terapêutica interessante dado que estas células não são importantes para o crescimento do tumor. Os investigadores acrescentam que a observação indireta da presença das células estaminas cancerígenas no melanoma pode potencialmente impedir o desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento de tumores específicos.

 

Contudo, a forte resistência aos fármacos que induzem a senescência que pode ser encontrada nas células estaminais cancerígenas poderá ser o maior desafio.

 

Com base neste estudo, o tratamento dos tumores deverá ter como alvo as células estaminais cancerígenas, em vez de todas as células cancerosas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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