Tumores cerebrais: porque são mais comuns nos homens?

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

06 agosto 2014
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Investigadores americanos ajudam a explicar por que motivo os tumores cerebrais ocorrem com mais frequência e de uma forma mais agressiva nos homens do que nas mulheres, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 

Os investigadores da Escola de Medicina ada Universidade de Washington, nos EUA, constataram que uma proteína conhecida por diminuir o risco de cancro, a proteína do retinoblastomas (BP), está significativamente menos ativa nas células cerebrais masculinas, comparativamente com as femininas.
 

De acordo com o líder do estudo, Rubin JB, esta foi a primeira vez que se identificou uma diferença associada ao sexo que afeta o risco de tumores e é intrínseca às células. “Nos ensaios clínicos, os dados dos pacientes masculinos e femininos são analisados conjuntamente, o que pode mascarar as respostas positivas ou negativas limitadas a um dos sexos. Devíamos pelo menos pensar em analisar separadamente os dados dos homens e das mulheres”, disse o investigador.
 

Os investigadores já tinham identificado várias doenças associadas ao sexo, que apresentam taxas de ocorrência ou sintomas distintos entre homens e mulheres. Estas diferenças estão muitas vezes associadas às hormonas sexuais, que criam e mantêm muitas, mas não todas, as diferenças biológicas entre os sexos.
 

Contudo, os autores do estudo sabiam que as hormonas sexuais não eram responsáveis pelas diferenças encontradas no risco de desenvolvimento de tumores cerebrais nos homens e nas mulheres.
 

No estudo, os investigadores utilizaram um modelo de células de glioblastoma, o mais comum e maligno dos tumores cerebrais, para demonstrar que as células cerebrais dos homens são mais propensas a converter-se em tumores. Após uma série de alterações genéticas e exposição a um fator de crescimento, verificou-se que as células cerebrais dos homens tornavam-se mais rapidamente e mais frequentemente cancerígenas, comparativamente com as células das mulheres.
 

De forma a tentar apurar as razões destas diferenças, os investigadores avaliaram três genes, a neurofibromina, o P53 e o RB, que normalmente suprimem a divisão e a sobrevivência celular, mas que estão mutados ou inativos em muitos tipos de cancro. Constatou-se que o RB tinha mais tendência a estar mais inativo nas células cerebrais masculinas do que nas femininas. Contudo, a alteração desta proteína nas células cerebrais das mulheres fez com que estas se tornassem igualmente suscetíveis ao cancro.
 

“Existem outros tipos de tumores que se produzem a ritmos diferentes em função do sexo, como é o caso de alguns tipos de cancro do fígado. Compreender melhor o motivo pelo qual as taxas de cancro diferem entre homens e mulheres poderá ajudar-nos a perceber o mecanismo básico do cancro, e encontrar terapias mais eficazes e ensaios clínicos mais informativos”, conclui Rubin JB.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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