Tumores: apenas uma pequena minoria das células contribui para o crescimento

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

05 fevereiro 2016
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Investigadores suecos demonstraram que uma pequena minoria de células nos tumores neuroendócrinos do pâncreas contribui para o crescimento e metastização do tumor, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”
 

O cancro aparece quando as mutações e outras alterações genéticas “desligam” o sistema de controlo do crescimento que habitualmente está presente nas células. Acreditava-se que todas as células cancerígenas de um tumor tinham o mesmo potencial para crescerem e metastizarem. Contudo, estudos recentes demonstraram que os tumores são compostos por vários tipos de células cancerígenas com diferentes alterações genéticas.
 

De acordo com o líder do estudo, Kristian Pietras, o facto de existirem tantos tipos diferentes de células num único tumor pode explicar por que motivo apenas algumas células são capazes de metastizar, e porque alguns pacientes sofrem recidivas apesar de serem expostos a tratamentos prolongados.
 

Tumores neuroendócrinos é um nome genérico dado a um tipo de tumor que são produtores de hormonas. No estudo os investigadores do Instituto de Karolinska e da Universidade de Lund, na Suécia, verificaram que nos tumores neuroendócrinos do pâncreas, uma pequena minoria de células contribui significativamente para o crescimento do tumor.
 

“Estas células representam menos de um por cento do total das células do tumor, essencialmente controlam a capacidade do tumor crescer e de metastizar”, revelou, em comunicado de imprensa, uma outra autora do estudo, Eliane Cortez.
 

A PDGFD é um tipo de proteína secretada pelos vasos sanguíneos do tumor que envia sinais para o recetor, o PDGFRβ, que se encontra localizado na superfície de uma pequena percentagem de células cancerígenas. Por sua vez, esta minoria de células cancerígenas secretam fatores de crescimento para outras células no tumor, o que resulta no crescimento de todo o tumor.
 

Através de estudos realizados em animais, os investigadores desativaram a PDGFD, o que fez com que o crescimento de todo o tumor diminuísse significativamente, apesar desta medida apenas ter tido um impacto direto numa percentagem muito pequena de células tumorais. A sinalização da PDGFD via o PDGFRβ já tinha sido descrita noutros tecidos e tumores, mas nunca neste tipo de cancro.
 

Esta descoberta é muito importante uma vez que aumenta a compreensão de como um tumor é composto por diferentes tipos de células cancerígenas com diferentes funções. De forma a compreender o nível de agressividade de um tumor, é importante descrever com precisão a sua estrutura, bem como a existência de pequenas populações de células cancerígenas que podem ter um grande impacto no crescimento global do tumor.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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