Tumor cerebral pode explicar certos casos de pedofilia

Investigadores relatam caso estranho na New Scientist

22 outubro 2002
  |  Partilhar:

Médicos norte-americanos afirmaram no início desta semana, em conferência científica, que a pedofilia incontrolável apresentada por um homem de 40 anos era resultado de um tumor no cérebro.
 

 

A notícia vem publicada na revista «New Scientist» e não deixa de causar alguma surpresa. Ao que indica o artigo, um homem de 40 anos, professor, casado e sem antecedentes de crimes sexuais, tornou-se obcecado por sexo e a molestar crianças. Tudo porque, continua o texto, tinha um tumor - do tamanho de um ovo de galinha - no lobo direito do cérebro. O tumor encontrava-se localizado na parte do cérebro responsável pelo julgamento, controlo de impulsos e comportamento social.
 

 

Mas os neurologistas Russell Swerdlow e Jeffrey Burns, da Universidade da Virginia (EUA), acreditam que este é o primeiro caso que liga uma área cerebral danificada e a pedofilia. No entanto, os especialistas acrescentaram que não há prova que sugira que outros tipos de tumores no cérebro possam ter efeito semelhante.
 

 

 

Mudança repentina
 

 

Tudo começou quando o homem começou a visitar secretamente sites de pornografia infantil na internet e a solicitar serviços de prostitutas em casas de massagem, coisas que nunca fizera antes.
 

 

Quando a mulher descobriu que o marido tinha assediado crianças, expulsou-o de casa e apresentou queixa à polícia. Mas a história continuou. Em tribunal, o juiz condenou-o a um programa de reabilitação num grupo de ajuda para dependentes de sexo, mas, mais uma vez, foi expulso do programa, após assediar mulheres em recuperação.
 

 

Na noite anterior à sua prisão, procurou ajuda num hospital queixando-se de dor de cabeça e dizendo que temia violar a proprietária da sua casa.
 

 

Depois de ser encaminhado para tratamento psiquiátrico, continuou a queixar-se de problemas de equilíbrio. E um exame de ressonância magnética detectou o tumor.
 

 

Sete meses depois da remoção do cancro e de completar o tratamento no grupo de ajuda, voltou para casa. Mas, em Outubro de 2001, voltou a sentir dores de cabeça e voltou a comprar vídeos e revistas pornográficas. Uma nova ressonância magnética revelou uma reincidência do tumor. Após nova cirurgia, o comportamento voltou ao normal.
 

 

Tratamento
 

 

Para os especialistas que o acompanharam, Russell Swerdlow e Jeffrey Burns, da Universidade da Virgínia, o caso sugere que os médicos deveriam levar em conta a possibilidade da existência de tumores cerebrais que levem algumas pessoas a cometer crimes sexuais.
 

 

Mas, em entrevista à BBC, advertiram que isso só se aplica a pessoas que, repentinamente, se tornem obcecadas por sexo e que não tenham passado histórico que inclua esse tipo de comportamento.
 

 

Mas David Rosenfield, um neurologista do Baylor College of Medicine, em Houston, disse que é necessário que sejam feitos mais estudos sobre o assunto. «É, de facto, um caso interessante. Eu pergunto-se se o tumor causou alterações hormonais», disse Burns ao site newscientist.com.
 

 

O caso foi apresentado na reunião anual da Associação Neurológica Americana, em Nova Iorque.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Veja artigo original em: New Scientist
 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.