Tumor cerebral: novo método melhora precisão cirúrgica

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

09 setembro 2013
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Uma nova tecnologia, que tem por base o laser, pode tornar a cirurgia ao tumor cerebral muito mais precisa. O estudo publicado na “Science Translational Medicine” refere que através desta técnica os cirurgiões poderão distinguir o tecido cancerígeno do saudável, ao nível microscópico, enquanto estão a operar, evitando assim deixar para trás células que se podem expandir e formar um novo tumor.
 

Em média os pacientes com glioblastoma multiforme vivem apenas 18 meses após o diagnóstico. A cirurgia é o tratamento mais eficaz, mas menos de um quarto dos pacientes atinge resultados desejados, através deste procedimento.
 

“Apesar da cirurgia ao tumor cerebral ter avançado bastante, a sobrevivência para alguns dos pacientes é ainda baixa, em parte porque os cirurgiões não conseguem ter a certeza da remoção total do tumor”, explicou em comunicado de imprensa, o colíder do estudo, Daniel Orringer.
 

Neste estudo os investigadores da Faculdde de Medicina da Universidade do Michigan  e da Universidade de Harvard, nos EUA, utilizaram uma nova técnica para a análise dos tecidos, denominada por microscopia SRR. Através desta técnica é possível detetar um pequeno sinal luminoso emitido pelos tecidos após estes serem aquecidos com um laser não invasivo. Através da análise dos espectro de cores emitidas, os investigadores conseguem ter bastante informação sobre a composição química da amostra.
 

Esta técnica foi assim utilizada para distinguir os tumores do tecido saudável no cérebro de ratinhos. Foi também demonstrado que esta mesma técnica era também passível de ser utilizada em tecidos removidos de pacientes com glioblastoma multiforme, o mais mortal tumor cerebral. Através deste procedimento os investigadores foram capazes de delimitar com precisão a zona tumoral, conseguindo visualizar a área de contacto entre o tumor e as células saudáveis. Esta área onde as células tumorais se infiltram nas saudáveis é a mais difícil de operar, especialmente quando o tumor já invadiu uma região com uma importante função.
 

“Esta técnica necessita ainda de ser testada em ensaios clínicos, mas este pode ser um desenvolvimento bastante importante para a visualização do tecido tumoral, o qual é o primeiro passo para o aumento da remoção do tumor”, disse um especialista em tumores cerebrais da Universidade de Cambridge, Colin Watts.
 

“Este procedimento é particularmente relevante uma vez que tem o potencial de ajudar a remover o tecido que se encontra no interface tumor/cérebro onde a doença recorrente pode emergir”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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