Tumor cerebral: como é que as células se disseminam?

Estudo publicado na “PloS Biology”

04 maio 2012
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Investigadores americanos descobriram o modo como o glioblastoma, o tipo de tumor cerebral mais comum e mortal, se dissemina, dá conta um estudo publicado na revista “PloS Biology”.

 

“O maior desafio do tumor cerebral é a migração das células cancerígenas. Não conseguimos controlar”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo Alfredo Quinones-Hinojosa.

 

O investigador explica que após um indivíduo ser diagnosticado com glioblastoma, em média, a esperança de vida é de apenas 15 meses. Adicionalmente os tratamentos cirúrgicos são virtualmente impossíveis dada a rápida metastização do tumor e, por outro lado, os avanços da quimioterapia e radioterapia têm sido lentos.

 

Assim, de forma a encontrar um modo de impedir ou limitar a disseminação da doença, os investigadores da Johns Hopkins University School of Medicine, nos EUA, focaram a sua atenção numa proteína, a NKCC1, presente nas células tumorais humanas que está envolvida no transporte de iões de sódio, potássio e cloro, que conjuntamente com a água controlam o volume das células.

 

Os investigadores descobriram que NKCC1 promove a movimentação das células cancerígenas através dos tecidos e que estas se movimentam mais e mais rapidamente quando maior é o seu nível de expressão nas células do glioblastoma. Foi também verificado que na ausência da NKCC1 as células cancerígenas eram incapazes de se associar às células vizinhas.

 

Os investigadores conseguiram também abrandar a migração das células tumorais através do bloqueio da NKCC1, o qual foi conseguido com a utilização de bumetanida, um fármaco anti-diurético utilizado habitualmente na redução da retenção de fluidos. O investigador explicou que quanto menor a mobilidade, menor a invasão dos tecidos circundantes.

 

Os autores do estudo relacionaram ainda a agressividade do tumor com os níveis de NKCC1 persentes nas cédulas tumorais. O estudo demonstrou que quanto menos agressivo era o tumor menor era o nível de expressão da NKCC1. Este resultado indica que esta proteína não só contribui para o aumento da capacidade das células tumorais invadirem os tecidos circundantes, mas também pode ser utilizada no diagnóstico desta doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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