Tuberculose: novo método de diagnóstico é premiado

Estudo da Universidade Nova de Lisboa

16 abril 2012
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O desenvolvimento de um novo método de diagnóstico para a tuberculose, mais barato e rápido, foi premiado com o Prémio de Mérito Científico Santander Totta-Universidade NOVA.

 

Pedro Viana Baptista, do departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA, e Miguel Viveiros Bettencourt, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, descobriram um sistema inovador para detetar o agente etiológico da tuberculose e as mutações mais frequentemente implicadas na resistência aos antibióticos.

 

Em declarações à agência Lusa, Pedro Baptista explicou que “dentro das problemáticas da tuberculose, um dos principais fatores de combate é a identificação da infeção”, nomeadamente porque as técnicas são morosas ou muito caras e grande parte da infeção por tuberculose ocorre em países sem recursos financeiros. Adicionalmente, a tuberculose “tem ganho mecanismos de resistência” que dificultam ainda mais a sua deteção.

 

No estudo premiado foi utilizado um sistema de nanotecnologia para fazer um diagnóstico molecular e identificar a presença do microrganismo e se este apresentava um padrão de resistência.

 

“Utilizam-se nanopartículas de ouro, que ficam estáveis e apresentam uma coloração vermelho rubi quando detetam a presença de DNA do microrganismo que causa a tuberculose e sequências associadas à resistência a antibióticos”, explicou o investigador. Na ausência do microrganismo, as nanopartículas não ficam estáveis e, juntando-lhes sal, adquirem uma coloração azul, acrescentou.

 

Por serem necessárias apenas pequenas quantidades, é possível cortar no preço, salientou o investigador, especificando que, tendo em conta apenas o cálculo do custo direto, esta técnica é 10 vezes mais barata do que as atualmente utilizadas.

 

Pedro Baptista adiantou que este modelo de deteção já funciona e está em fase de validação.
Uma vez alcançado este primeiro objetivo, poderá ser feita a transposição do laboratório para regiões onde as populações são mais afetadas pela doença e onde existem poucos recursos.

 

“Pode ser usado descentralizadamente, em hospitais de campanha, independente de todas as tecnologias”, explicou, comparando com os testes de gravidez que se compram nas farmácias.

 

O investigador afirmou existirem já algumas empresas nacionais e alguns consórcios europeus interessados na transferência de tecnologia do protótipo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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