Tuberculose: novo exame pode identificar estirpes resistentes muito mais depressa

Novo método publicado no “Journal of Clinical Microbiology”

18 maio 2015
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Uma nova técnica desenvolvida por cientistas europeus conseguiu reduzir o tempo necessário para sequenciar geneticamente a bactéria que provoca a tuberculose (Mtb) de semanas para apenas alguns dias, o que pode ajudar a adequar os tratamentos, controlar a transmissão da doença e monitorizar surtos da mesma.
 
O número de casos de tuberculose tem vindo a aumentar, em especial a tuberculose resistente a medicamentos. Estes tipos de tuberculose requerem tratamento específico e se os médicos souberem que uma determinada estirpe da doença é resistente a determinados fármacos, poderão dar início ao tratamento adequado mais cedo e obter melhores resultados.
 
A sequenciação genética completa de uma amostra de Mtb permite identificar, em muitos casos, as mutações que conduzem à resistência a medicamentos e, dessa forma, adequar os tratamentos a estes casos específicos. Contudo, este é um processo que pode demorar semanas a concluir, uma vez que as amostras têm de ser cultivadas em laboratório para haver material genético suficiente para analisar.
 
Uma investigação levada a cabo pelo consórcio PATHSEEK, financiado pela União Europeia, e que incluiu a participação da Universidade College London e Oxford Gene Technology (Reino Unido), CLC bio-Qiagen (Dinamarca) e o Centro Médico da Universidade de Erasmus (Países Baixos), permitiu enriquecer ADN de Mtb diretamente a partir de amostras de expetoração do paciente. 
 
Para extrair as amostras de expetoração os cientistas usaram sondas constituídas a partir de moléculas de ácido ribonucleico (ARN) alteradas para se ligarem ao ADN do Mtb.
 
Para o estudo foram utilizadas 34 amostras de pacientes de Londres e da Lituânia, onde estirpes de Mtb resistentes a medicamentos são um problema significativo. Os resultados da sequenciação das amostras corresponderam na perfeição aos resultados das culturas.
 
“Ao utilizar métodos convencionais, os pacientes com tuberculose resistente precisariam de esperar cerca de seis semanas pelos exames de resistência a antibióticos”, refere o autor principal do estudo, Judith Breuer, afiliado à Universidade College London. “Durante esse tempo, o paciente poderá estar a receber medicação que não será a ideal ou sofrer de efeitos secundários desnecessários e desagradáveis. A nossa técnica e o software associado podem reduzir o tempo necessário para testar a resistência antimicrobiana para alguns dias, permitindo aos médicos receitar o tratamento antimicrobiano adequado o mais cedo possível”.
 
De acordo com os investigadores, este novo método pode ainda ser útil para monitorizar a disseminação da doença e identificar pessoas com elevada capacidade de contágio, facilitando o controlo e prevenção de surtos.
 
A técnica foi já aplicada a outras infeções, nomeadamente à clamídia, VIH, hepatite, herpes, Influenza A, norovírus e citomegalovírus. E embora muitas infeções possam ser tratadas com medicamentos antimicrobianos, a resistência aos fármacos tem-se revelado um problema crescente em todo o mundo. Técnicas de diagnóstico que permitam identificar tratamentos mais precisos e mais céleres poderão ajudar a combater a resistência a medicação num vasto leque de infeções além da tuberculose.
 
No futuro, os cientistas esperam conseguir melhorar esta técnica de forma a torná-la mais acessível para ser usada em países mais pobres, onde a tuberculose resistente a medicamentos é comum.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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