Tuberculose multirresistente: células estaminais do paciente podem ser a cura

Estudo publicado no “The Lancet Respiratory Medicine”

14 janeiro 2014
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As células estaminais da medula óssea dos próprios pacientes podem ser utilizadas para tratar a tuberculose resistente a múltiplos fármacos, defende um estudo publicado no “The Lancet Respiratory Medicine”.
 

O tratamento convencional para a tuberculose multirresistente inclui a combinação de antibióticos que causam efeitos secundários prejudiciais nos pacientes. “Esta nova abordagem, que utiliza as células estaminais da medula óssea dos próprios pacientes, é segura e poderia ajudar a ultrapassar a resposta inflamatória excessiva do organismo, reparar e regenerar o tecido pulmonar danificado pela inflamação e conduzir a taxas mais elevadas de cura”, explicou, em comunicado d imprensa, o líder do estudo, Markus Maeurer.
 

O estudo refere que a bactéria que causa a tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis, despoleta uma resposta inflamatória que faz com que ocorra uma disfunção imunitária e danos nos tecidos. Por outro lado, as células da medula óssea mesenquimais são conhecidas por migrar para locais onde há danos pulmonares e inflamação, de modo a reparar os tecidos danificados.
 

Neste contexto, os investigadores do Hospital Universitário Karolinska, na Suécia, iniciaram um estudo que contou com a participação de 30 pacientes, com idades compreendidas entre 21 e 65 anos, que tinham tuberculose multirresistente.
 

Os pacientes foram submetidos ao tratamento antibiótico habitual e uma infusão de cerca de 10 milhões das suas próprias células do estroma, as quais foram obtidas a partir da medula óssea. Foram também incluídos no estudo um grupo de 30 pacientes com tuberculose multirresistente que apenas recebeu o tratamento habitual.
 

Após 18 meses, os investigadores constataram que 16 pacientes tratados com células do estroma estavam curados, comparativamente com os 5 dos 30 pacientes que foram submetidos ao tratamento habitual. O estudo apurou ainda que os efeitos secundários mais comuns nos pacientes submetidos ao novo tratamento foram níveis elevados de colesterol, náusea, baixo número de leucócitos ou diarreia.
 

“Os procedimentos para obtenção das células do estroma são relativamente simples e caso se tenha sucesso nos ensaios clínicos de fase 2, esta nova abordagem poderá funcionar como um tratamento adjuvante viável para os pacientes com tuberculose multirresistente que não respondem ao tratamento farmacológico habitual ou aqueles com danos pulmonares severos”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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