Tuberculose matava índios antes da colonização

Doença existia na América do Sul antes dos Descobrimentos

03 dezembro 2001
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Durante séculos pensou-se que a introdução de doenças infecciosas nos povos nativos da América, bem como em outros locais do mundo, teria sido feita através dos colonizadores que ao serem portadores de doenças as disseminaram pelos habitantes dos continentes “conquistados”.
 

 

Mas, afinal, não foi bem assim, pelo menos na América do Sul. Mesmo antes da chegada da colonização espanhola àquele continente, os índios já sofriam de tuberculose, revela um estudo norte-americano.
 

 

Estudos efectuados em múmias peruanas mostraram indícios de um processo infeccioso semelhante à tuberculose nos pulmões e espinha dorsal. As múmias, descobertas em 1996, pertenciam ao povo Chachapoyan e foram enterradas em cavernas perto das encostas de montanhas nos Andes peruanos, há cerca de 500 ou 1.000 anos.
 

 

"Ficamos surpreendidos com a alta percentagem de múmias que apresentavam um processo infeccioso na coluna vertebral e nos pulmões, semelhante à tuberculose", disse Gerald Conlogue, da Universidade Quinnipiac, em Hamden, Connecticut.
 

 

Por isso mesmo, os investigadores reforçam a teoria que os povos indígenas podem ter sido afectados pela tuberculose antes da chegada dos conquistadores espanhóis, considerados os responsáveis pela introdução da doença na América do Sul. "Acreditava-se que a tuberculose teria sido trazida para a América do Sul pelos conquistadores espanhóis, mas estas múmias precedem à sua chegada", explicou Conlogue, durante a reunião anual da Sociedade de Radiologia da América do Norte.
 

 

Trabalhos forçado
 

 

As imagens de raio X realizadas a 205 múmias encontradas na Laguna de los Cóndores também revelaram a presença de artrite. Facto que impressiona os cientistas, dado que a faixa etária da maioria das múmias variava do final da adolescência até 40 anos. "A artrite na coluna de homens e mulheres foi impressionante tendo em vista a idade", explicou Anthony Bravo, que participou no estudo.
 

 

"Devem ter realizado uma grande quantidade de trabalhos manuais. As múmias também tinham dentes em mau estado, com cáries e doença periodontal", explicou o cientista. Além disso, as múmias apresentavam igualmente uma considerável erosão óssea, provavelmente em consequência da herança genética ou da dieta.
 

 

Segundo Conlogue, os investigadores surpreenderam-se ao comprovar o alto grau de danos produzidos pelas doenças, pois pensava-se que os Chachapoyan viviam num local tão longínquo que poderiam estar praticamente "livres de doenças”.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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