Tuberculose: degradação das condições sociais poderá inverter resultados

Alerta o presidente do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias

25 março 2013
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A degradação das condições sociais poderá inverter os resultados positivos alcançados na luta contra a tuberculose, defendeu o presidente do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias.
 

Artur Teles de Araújo revelou à agência Lusa que esta doença está “muito relacionada com a situação social e as dificuldades que acontecem em tempos de crise”.
 

Nesse sentido, o pneumologista afirmou que existe sempre a possibilidade de o número de casos aumentar no país, onde a incidência da doença é ainda de cerca de 20 novos casos por cada 10 mil habitantes, um número superior à maioria dos países com um desenvolvimento económico semelhante ao de Portugal.
 

“É impossível neste momento dizer se esse risco se vai concretizar ou se vamos conseguir evitar essa situação”. Contudo, frisou, “esse reflexo não será imediato, será um reflexo a prazo, mas é uma possibilidade que existe e temos de estar atentos”.
 

O pneumologista referiu ainda que Portugal tem “algumas condições que poderão, de alguma maneira, evitar que o problema se venha a tornar mais grave”.
 

“A medicação é gratuita, o acesso aos medicamentos é relativamente fácil e os doentes com tuberculose têm direito a baixa médica sem diminuição do seu vencimento”, elucidou.
 

Artur Teles de Araújo refere que os serviços de saúde “estão a funcionar razoavelmente”, mas, advertiu, é preciso continuar alerta para esta situação, que “tem vindo a melhorar” no país.
 

“É preciso continuar atento a este problema, que é um problema real e não o podemos descurar”, acrescentou.
 

Dados da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias (ANTDR) indicam que, em Portugal, surgem anualmente cerca de 2.000 novos casos, mas “uma vez que o tratamento é facilmente acessível e gratuito, a esmagadora maioria cura-se e a mortalidade é muito baixa”.
 

A presidente da ANTDR disse à Lusa que, “em qualquer situação económica de um país, este tipo de doença pode correr riscos de voltar a ter números mais elevados”.
 

“A pobreza, o mal-estar social, viver em condições desfavoráveis pode levar a uma fragilidade do sistema imunitário e a um maior número de casos de tuberculose”, adiantou Maria da Conceição Gomes.

 

Tal como Teles Araújo, também Maria da Conceição Gomes defende que a luta contra a doença não pode parar: “Ainda não conseguimos erradicar a doença e temos tudo para o fazer”, mas tem de haver um esforço conjunto.“

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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