Tuberculose: composto elimina estirpes resistentes aos fármacos

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

20 junho 2013
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Uma equipa internacional de investigadores identificou um novo composto capaz de eliminar a bactéria causadora da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis (M. tuberculosis), refere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Apesar dos fármacos isoniazida e rifampicina, serem utilizados desde a segunda metade do século XX, continuam a ocorrer novas infeções por M. tuberculosis a uma taxa de cerca de uma por segundo. Na verdade, cerca de um terço da população humana está infetada com a tuberculose maioritariamente inativa e latente, apesar de a tuberculose ativa ainda continuar a matar mais de um milhão de pessoas anualmente.
 

O aumento da urbanização, a complacência da saúde pública e o enfraquecimento da imunidade devido à infeção por VIH têm sido os principais responsáveis pela disseminação da infeção pelo M. tuberculosis, nas últimas décadas. Contudo, esta bactéria tem também uma capacidade invulgar de persistir nos humanos. Na verdade, oM. tuberculosis pode permanecer num estado dormente e não se replicar, o qual é menos suscetível ao efeito dos fármacos atuais, ou na sua forma ativa que é a mais habitual.
 

O tratamento da tuberculose exige a toma de fármacos ao longo de meses ou anos. Mas muitos dos pacientes acabam por ser infetados com estirpes altamente resistentes aos fármacos, as quais são virtualmente intratáveis e geralmente fatais.
 

“O grande desafio é identificar um fármaco que seja capaz de eliminar a bactéria mais rapidamente, o que significa ser eficaz contra a forma dormente e ativa”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Feng Wang.
 

Após terem procurado numa biblioteca de 70.000 compostos, os investigadores constataram que o TCA1 era capaz de eliminar 99,9% das bactérias na sua forma ativa, ao fim de três semanas. Este composto mostrou ser também bastante eficaz na eliminação do M. tuberculosis latente e nas estirpes altamente resistentes aos fármacos.
 

Os investigadores descobriram que a eficácia deste composto se devia ao fato de este atacar duas enzimas alvo da bactéria, uma das quais está envolvida na replicação e a outra no estado de dormência e persistência da micobactéria.
 

"Estes resultados representam assim um esforço para ajudar a resolver uma das principais crises globais da saúde atual, o ressurgimento da tuberculose e das suas estirpes resistentes a fármacos", conclui um outro autor do estudo, Peter G. Schultz.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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