Tuberculose: Açores não utilizam sistema nacional de notificação

Declarações do coordenador regional da tuberculose multirresistente

10 dezembro 2013
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Os Açores são a única região do país que continua a não utilizar o sistema nacional de notificação da tuberculose. O pneumologista Carlos Pavão defende que a unificação de registos traria múltiplas vantagens.
 

“Os Açores são a única região do país que não utiliza o mesmo sistema de notificação nacional. Continente e Madeira têm um registo único de notificação centralizado na Direção Geral de Saúde. Aqui nos Açores há um sistema de notificação próprio, que me parece pouco útil”, afirmou à agência Lusa o clínico Carlos Pavão.
 

O diretor do serviço de Pneumologia do Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, e coordenador regional da tuberculose multirresistente referiu que além dos meros dados estatísticos, a uniformização de registos permitiria articular o conhecimento da doença, as suas formas de distribuição e grupos de risco, num real trabalho em rede.
 

O médico adiantou que tem insistido junto das autoridades regionais competentes para que haja uma uniformização no sistema de notificação da doença, mas até ao momento o pedido ainda não foi atendido.
 

Contactada pela Lusa, fonte da secretaria regional da Saúde disse que os Açores cumprem com o que está estipulado em relação às doenças de comunicação obrigatória, informando a Direção Geral de Saúde.
 

A tuberculose é uma doença infeciosa, transmitida pelo ar e potencialmente mortal se não tratada devidamente, sendo a tosse persistente, febre, dores no tórax, suores noturnos, perda lenta e progressiva de peso, apatia e falta de apetite alguns dos principais sintomas.
 

“Nos últimos dez anos, os números da tuberculose [nos Açores] têm-se mantido mais ou menos estáveis, cerca de 30 casos por ano. Em 2012 verificaram-se apenas 18 casos, em 2011 tivemos 29 casos de tuberculose respiratória e em 2010 voltámos a ter 18”, disse Carlos Pavão, acrescentando que, presentemente, estão notificados quatro casos de tuberculose multirresistente na ilha de S. Miguel.
 

“Com a crise que atravessamos agora é previsível que aumentem as dificuldades económicas”, prevendo-se “um agravamento das condições alimentares da população e das condições sanitárias”, o que pode fazer aumentar os números da tuberculose.
 

O pneumologista referiu que “com melhor organização” seria possível “baixar muito significativamente os números da tuberculose nos Açores”, porque a doença está limitada a duas ilhas (S. Miguel e Terceira), “espaços fechados, onde a capacidade de intervenção seria muito maior”.

 

“O tratamento da tuberculose demora à volta de seis meses. Acontece muitas vezes que essas pessoas, dada a sua situação, abandonam com frequência o tratamento, o que origina posteriormente resistência aos fármacos habitualmente utilizados no tratamento da doença”, revelou Carlos Pavão, acrescentando que a tuberculose clássica é curável, desde que o doente cumpra o tratamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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