Troca de casais está a aumentar em Portugal

Adultério consentido cresce com a Internet, revela estudo

20 julho 2003
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A troca de casais é uma forma de «swinging». Mas, apesar de implicar práticas sexuais com elementos exteriores ao casal, os portugueses inquiridos consideram-se monogâmicos em termos emocionais.
 

 

A troca de casais, uma das formas de relacionamento sexual alternativo («swinging»), está a aumentar em Portugal, revela um estudo que identifica os «swingers» como os casais que mais satisfação conseguem e menos ciúmes sentem no seu relacionamento.
 

 

Um estudo pioneiro do médico especialista em sexologia José Murta Cadima, a que a Agência Lusa teve acesso, traz à luz do dia um comportamento que, apesar de estar em franco crescimento, é ainda considerado clandestino: o adultério consentido.
 

 

Em Portugal, como na maioria dos outros países, a troca de casais - uma forma de «swinging», tal como o «menage à trois», as orgias ou o «flirt» - sofreu um grande aumento graças à Internet, que permite a troca de experiências, contactos e informações, a coberto de anonimato.
 

 

«Em Portugal, o "swinging" encontra-se num estado emergente, tendo aumentado a sua visibilidade com a vulgarização do uso da Internet que, neste caso, tem desempenhado um papel importante como o principal veículo difusor e impulsionador do fenómeno nos anos 90 e seguintes», explica o autor.
 

 

O primeiro passo para a troca de casais é essencialmente masculino. Os resultados do inquérito permitiram concluir que, entre os adeptos da troca de casais, cerca de metade das mulheres (53,3 por cento) respondeu que foram os maridos e a outra metade (46,7 por cento) respondeu que foram ambos a sugerir um casamento aberto. Nenhuma mulher o propôs.
 

 

Relativamente aos homens, quando questionados sobre quem sugeriu um casamento aberto, 66,7 por cento assumiu a sugestão e 33,3 por cento atribuiu a ambos. Nenhum respondeu que a iniciativa tenha sido da esposa.
 

 

No que respeita à frequência de relações com outros parceiros, dos «swingers» que responderam a esta questão 35,3 por cento referiu uma frequência diária, 29,4 por cento semanal, 23,5 por cento mensal e 11,8 por cento uma frequência anual.
 

 

Quanto à avaliação da qualidade do casamento antes de terem iniciado relacionamentos extra-conjugais, a maioria (44,2 por cento) dos «swingers» que respondeu avaliaram-no como de qualidade média, 28,8 por cento como sendo de qualidade excelente, 25 por cento disseram ser acima da média e 1,9 por cento indicaram que a qualidade do seu casamento está abaixo da média.
 

 

Os «swingers» referiram como razões predominantes para manterem um casamento aberto tornar mais tolerável um casamento insatisfatório, aumentar a satisfação de um casamento já de si satisfatório e seguir uma opção filosófica. Aliás, na amostra, «mais de 70 por cento dos sujeitos assume o ''swinging'' como filosofia de vida».
 

O ciúme parece ser «menos notório nos casais que praticam ''swinging'' do que nos casais tradicionais», não estando, porém, ausente. No entanto, nestes casais, o ciúme manifesta-se fora do contexto «swinging» e, sobretudo, como expressão de amor.
 

 

A maioria dos «swingers» inquiridos possui profissões nos domínios do trabalho intelectual, de investigação e de direcção. Tal como outros investigadores internacionais já o fizeram, o estudo concluiu que a sida condicionou o comportamento sexual dos «swingers» portugueses.
 

 

A amostra engloba 162 pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, dos quais um terço é «swinger», um terço «sexualmente fiel» e um terço «sexualmente infiel».
 

 

Fonte: Público e Lusa
 

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