Trigo pode causar inflamação presente em condições de saúde crónicas

Estudo da Universidade Johannes Gutenberg

19 outubro 2016
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Investigadores alemães descobriram que uma família de proteínas encontrada no trigo pode ser responsável pela inflamação presente em doenças crónicas, como a esclerose múltipla, asma e artrite reumatoide. O estudo apresentado na “UEG Week 2016”, um evento que reúne gastrenterologistas de todo o mundo em Viena, Áustria, sugere que estas proteínas podem também contribuir para o desenvolvimento de sensibilidade ao glúten não celíaco.
 

Apesar de os estudos anteriores se terem focado no glúten e no seu impacto na saúde digestiva, os investigadores da Universidade Johannes Gutenberg, na Alemanha, decidiram analisar o efeito de uma família de proteínas encontradas no trigo, os inibidores amilase-tripsina (ATI, sigla em inglês).
 

O estudo apurou que o consumo de ATI pode conduzir ao desenvolvimento de inflamação em tecido para além do intestinal, incluindo nos nódulos linfáticos, rins, fígado e cérebro. Os cientistas sugerem que os ATI podem piorar os sintomas da artrite reumatoide, esclerose múltipla, asma, lúpus, doença do fígado gordo não alcoólica, bem como da doença inflamatória do intestino.
 

Apesar de os ATI não representarem mais de 4% da composição das proteínas do trigo, podem desencadear reações imunológicas nos intestinos que se podem disseminar para outros tecidos no organismo.  
 

Detlef Schuppan, o líder do estudo, acredita que para além de contribuírem para o desenvolvimento de condições inflamatórias associadas ao intestino, as ATI são capazes de promover a inflamação em condições crónicas associadas à imunidade para além dos intestinos.
 

O tipo de inflamação observada na sensibilidade ao glúten não celíaca difere da causada pela doença celíaca. Na verdade, os investigadores não acreditam que esta sensibilidade seja causada por proteínas do glúten. De facto, o estudo demonstrou que os ATI do trigo, que também contaminam o glúten comercial, ativam células imunitárias específicas nos intestinos e outros tecidos, agravando consequentemente as doenças inflamatórias pré-existentes.
 

Para além de estarem envolvidos em condições de saúde crónica que não dos intestinos, os ATI podem também contribuir para o desenvolvimento de sensibilidade ao glúten não celíaca. Esta condição é diagnosticada nos pacientes sem doença celíaca que também beneficiam de uma dieta sem glúten.
 

Uma vez que os indivíduos afetados por esta condição apresentam sintomas intestinais, incluindo dor abdominal e movimentos intestinais irregulares, é por vezes difícil de distinguir a sensibilidade ao glúten não celíaca da síndrome do intestino irritável. Contudo, sintomas como dor de cabeça, dor nas articulações e eczema podem ajudar na obtenção de um diagnóstico. Estes sintomas surgem habitualmente após o consumo de alimentos com glúten e melhoram rapidamente após a adoção de uma dieta sem glúten. Contudo, o glúten não parece ser a causa da condição.
 

O investigador espera que estes achados possam ajudar a redefinir a sensibilidade ao glúten não celíaca de uma forma mais apropriada.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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