Três meses imobilizados para testar efeitos da ausência de gravidade

Um projecto do Instituto de Medicina Espacial de Toulouse

18 janeiro 2003
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Estudar os efeitos da ausência de gravidade no corpo humano com vista à realização de voos espaciais de longa duração é o objectivo de um projecto europeu inovador do Instituto de medicina espacial de Toulouse. Para tal, voluntários permaneceram deitado e imobilizados durante três meses.
 

 

Divididos por duas equipas em 2001 e 2002, 25 destes voluntários ficaram deitados durante 90 dias sobre um leito inclinado, com a cabeça mais baixa que os pés, simulando as condições da microgravidade.
 

 

"Trata-se de uma experiência única na Europa", explicou Anne Pavy Le Traon, que coordenou os trabalhos para as agências espaciais europeia (ESA), francesa (CNES) e japonesa (NASDA).
 

 

"O nosso objectivo é estudar os fenómenos de atrofia muscular e de redução da densidade óssea causados pela ausência de gravidade", disse, "e sobretudo validar processos para lutar contra esses efeitos", acrescentou.
 

 

Ainda que os primeiros resultados apenas sejam anunciados durante o próximo salão de Bourget, em Junho, alguns, embora preliminares, são elucidativos, permitindo já confirmar a eficácia do exercício físico para reduzir a atrofia muscular.
 

 

Sucesso partilhado por um medicamento destinado a prevenir a osteoporose utilizado contra a fragilização dos ossos.
 

 

"Mas para além desses elementos, o mais interessante foi constatar que os programas de readaptação permitiram aos voluntários reencontrar a capacidade física que tinham antes da experiência", sublinhou, por seu lado, Jacques Bernard, responsável pelo acompanhamento diário das "cobaias".
 

 

Após três meses de cama, todos os voluntários conheceram, tal como acontece aos viajantes do espaço, uma "aterragem" dolorosa quando retomaram a caminhada.
 

 

"Alguns chegaram mesmo a sofrer durante mais de um mês, tendo sido doloroso reencontrar plenamente a sua forma", reconheceu Bernard, indicando, apesar disso, que todos têm "actualmente uma vida física normal".
 

 

"Não consegui andar durante quatro dias, estive verdadeiramente mal", conta um dos voluntários, David Cheyroux.
 

 

No entanto, muito mais que as várias recolhas de sangue, electrocardiogramas e outros exames aos quais foram submetidos durante meses, os constrangimentos físicos ou mesmo o tédio, todos os voluntários reconheceram ter sofrido sobretudo com o isolamento.
 

Apesar disso, alguns indicaram que poderiam ter suportado a experiência por quatro ou cinco meses.
 

 

Um período de tempo mesmo assim curto, muito curto, comparativamente aos dois anos e meio que poderá demorar uma viagem ao planeta Marte.
 

 

Fonte: Lusa

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