Três em cada quatro portugueses não pensam ter filhos nos próximos três anos

Dados do Inquérito à Fecundidade

02 julho 2014
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Três em cada quatro portugueses não pensam ter filhos nos próximos três anos, dá conta Inquérito à Fecundidade (IFEC).

 

O inquérito, ao qual à agência Lusa teve acesso, foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e foi dirigido a uma amostra de mulheres com idades entre os 18 e 49 anos e de homens com idades entre os 18 e 54 anos.

 

Ao longo do inquérito foram realizadas 7.624 entrevistas cujos dados permitiram analisar a fecundidade, para quem tem filhos, para quem (ainda) não tem, em função do número de filhos tidos, do número de filhos que as pessoas (ainda) pensam vir a ter e do número de filhos que desejariam ter.

 

O estudo estima que as mulheres e os homens residentes em Portugal, têm em média 1,03 filhos, mas pensam chegar aos 1,78 filhos. Foi também verificado que três quartos (75,1%) das pessoas em idade fértil inquiridas no estudo não tencionam ter filhos nos próximos três anos, sendo que a maioria (53,2%) não pensa ter filhos ou ter mais filhos, enquanto 21,9% não pensa ter filhos nos próximos três anos.

 

O inquérito revela ainda que entre os mais jovens o número de filhos já tidos e os que ainda tencionam ter é maior do que entre os mais velhos. O número médio de filhos desejados e o número médio de filhos esperados é de 2,20 e 1,94, respetivamente para as mulheres dos 18-29 anos, e 2,11 e 1,80, respetivamente para os homens do mesmo escalão etário.

 

O inquérito revelou ainda um decréscimo no número ideal de filhos numa família (2,38 filhos), no número de filhos que as pessoas desejam ter ao longo da vida (2,31 filhos) e aqueles que efetivamente esperam ter (1,78 filhos), uma tendência que se verifica em todas as regiões do país e que é mais acentuada nos homens que nas mulheres.
 

Os homens e mulheres mais qualificados são os que querem ter mais filhos, mas são os menos qualificados que os têm efetivamente, adianta o estudo, que conclui que são os homens mais qualificados e as mulheres como menos habilitações escolares que esperam ter um maior número de filhos.

 

A escolaridade tem igualmente impacto no adiamento da maternidade e da paternidade: tanto mulheres como homens mais qualificados têm o primeiro filho mais tarde - 29,9 anos para mulheres com ensino superior (23,9 anos para mulheres com escolaridade até ao ensino básico) e 31,5 anos para homens com ensino superior (27,3 anos para homens com escolaridade até ao ensino básico).
 

O estudo incluiu também um conjunto de questões para perceber a opinião dos inquiridos sobre os incentivos à natalidade e concluiu que cerca de 94% das mulheres e 92% dos homens consideram que devem existir incentivos à natalidade.
 

“Aumentar os rendimentos das famílias com filhos” foi a medida de incentivo mais frequentemente referida como “a mais importante”.
 

Facilitar as condições de trabalho "para quem tem filhos, sem perder regalias”, o que inclui a oportunidade de trabalho a tempo parcial, períodos de licenças de maternidade e paternidade mais alargados e flexibilidade de horários para quem tem crianças pequenas, foi apontada como a segunda medida mais importante.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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