Traumatismo crânio-encefálico ligeiro pode provocar lesão cerebral

Estudo publicado na revista “Neurology”

18 agosto 2014
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O risco de uma lesão cerebral existe após um indivíduo ter sofrido um traumatismo crânio-encefálico mesmo que este tenha sido ligeiro, são as conclusões de um novo estudo britânico.

 

Conduzido pelo Instituto de Neurociências da Universidade de Newcastle, Reino Unido, o estudo consistiu na comparação entre pessoas que tinham sofrido traumatismo crânio-encefálico (TCE) ligeiro a moderado e pessoas sem qualquer lesão.

 

O traumatismo crânio-encefálico pode-se verificar após o embate súbito e violento da cabeça ou quando um objeto perfura o crânio, atingindo o cérebro. Os sintomas deste tipo de traumatismo podem incluir dores de cabeça, náuseas, causar danos cerebrais permanentes e mesmo morte.

 

Para o estudo, a equipa de investigadores contou com a participação de 53 pessoas que tinham sofrido TCE (44 dos quais TCE moderado e nove TCE ligeiro), que foram comparadas a 33 pessoas que não tinham sofrido qualquer tipo de TCE.

 

Os participantes foram submetidos a ressonância magnética ao cérebro e foi-lhes pedido que resolvessem testes de memória e de raciocínio. Os pacientes com TCE efetuaram os testes e ressonâncias seis dias após terem sofrido o traumatismo. Os mesmos testes foram repetidos por 23 dos participantes, um ano mais tarde.

 

A análise dos resultados revelou que, comparativamente ao grupo dos pacientes que não tinham sofrido TCE, o grupo de participantes com TCE ligeiro a moderado revelava danos na massa branca do cérebro, que eram visíveis através de perturbações nos axónios nervosos (fibras que ligam os neurónios e lhes permitem transmitir mensagens). Aquele grupo teve também resultados 25% inferiores em testes à fluência verbal.

 

Um ano mais tarde, não se verificaram diferenças nos resultados dos mesmos testes entre os participantes que tinham sofrido TCE e os participantes saudáveis.

 

O autor principal do estudo, Andrew Blamire, explica que estes resultados “demonstram que as competências de raciocínio foram recuperando ao longo do tempo. As áreas de lesão cerebral já não se encontravam tão espalhadas, mas apenas em certas partes do cérebro, o que poderia indicar que o cérebro estava a compensar os danos”.

 

Os estudos existentes tendem, segundo o autor principal do estudo, a centrar-se em indivíduos com TCE grave ou crónico.
 

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