Traumas na infância e os efeitos a longo prazo na saúde

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

04 junho 2015
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Alterações que ocorrem a longo prazo na função imunológica e que são causadas por traumas na infância podem explicar o aumento de vulnerabilidade a vários problemas de saúde mais tarde na vida, sugere um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

O estudo realizado pelos investigadores dos Kings College London e do National Institute for Health Research, no Reino Unido, apurou que os adultos que tinham sido vítimas de trauma na infância apresentavam níveis aumentados de inflamação. Esta é uma situação que pode conduzir a condições sérias e potencialmente fatais como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares assim como o desenvolvimento de problemas psiquiátricos.
 

Os investigadores definiram que os indivíduos com trauma de infância tinham sido vítimas de abuso sexual, físico ou emocional, negligência, ou separação dos cuidadores antes dos 17 anos. Estudos anteriores já tinham demonstrado que o trauma de infância aumentava a vulnerabilidade a vários distúrbios psiquiátricos, incluindo depressão, ansiedade, psicose e stress pós-traumático. Foi ainda observado que este tipo de trauma poderia também contribuir para o desenvolvimento de várias condições físicas como a artrite, doença cardiovascular, doença pulmonar e cancro. No entanto, ainda não se tinha identificado a via biológica que medeia a vulnerabilidade deste tipo de problemas de saúde.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 16.000 indivíduos, que incluíram participantes saudáveis e pacientes com doenças físicas ou psiquiátricas. Verificou-se que havia uma associação entre o trauma na infância e o aumento da inflamação sanguínea. Os investigadores constataram também que os diferentes traumas - emocionais, físicos e sexuais – afetavam níveis de biomarcadores da inflamação distintos. Enquanto os abusos físicos e sexuais aumentavam os níveis do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e a interleuquina 6 (IL-6), a ausência parental durante o desenvolvimento inicial da crianças aumentava os níveis da proteína C reativa.
 

Os nossos resultados são importantes não apenas porque ajudam a perceber melhor por que motivo os indivíduos com antecedentes de trauma na infância podem desenvolver problemas físicos ou psiquiátricos na idade adulta, mas também porque abrem caminho para a possibilidade de desenvolver estratégias de prevenção e tratamento para estes indivíduos”, revelou, em comunicado de imprensa, Valeria Mondelli.
 

A investigadora referiu ainda que a utilização destes marcadores inflamatórios pode ajudar a identificar as vítimas de traumas na infância que estão em risco elevado de desenvolverem problemas físicos ou mentais e de testar potenciais tratamentos que poderão diminuir a inflamação nestes indivíduos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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