Tratar criança com pneumonia em casa é melhor que no hospital

Estudo realizado no Paquistão publicado "The Lancet"

17 novembro 2011
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As crianças com pneumonia grave tratadas em casa por profissionais de saúde têm maior probabilidade de recuperação que as que são encaminhadas para os serviços de saúde, aponta um estudo feito no Paquistão por investigadores da Universidade de Boston e da organização internacional Save the Children e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os resultados do estudo foram publicados na edição online da revista "The Lancet".

 

Na investigação, realizada no distrito de Haripur, no norte do Paquistão, os cientistas descobriram que o tratamento baseado em cuidados domiciliares coordenados por um grupo de mulheres, que receberam formação e estavam munidas com doses do antibiótico amoxicilina, em cinco dias conseguiram reduzir os atrasos e falhas no tratamento, em comparação à prática padrão (administração de uma dose de antibiótico e encaminhamento da criança a um hospital ou clínica para aplicação intravenosa de medicação).

 

Devido à falta de instalações de cuidados de saúde, muitas famílias têm de fazer longas e dispendiosas viagens para chegar a um local que possam receber cuidados de qualidade precários. O Paquistão e outros países em desenvolvimento tornaram-se cada vez mais adeptos de agentes comunitários de saúde. Os autores do estudo observaram que o atendimento domiciliar oferece uma significativa redução de custos para as famílias e para os sistemas de saúde, além de diminuir o risco de que as crianças com pneumonia desenvolvam complicações decorrentes de infecções em hospitais lotados.

 

O estudo comparou os resultados entre 1.857 crianças tratadas em casa com amoxicilina oral durante cinco dias e 1.354 crianças de um grupo controlo de crianças que receberam uma dose de cotrimoxazol e que foram encaminhadas para o centro de saúde mais próximo para tratamento. Os autores observaram eventuais falhas no tratamento dos pacientes no sexto e no 14º dias.

 

Segundo os autores, a descoberta pode salvar milhares de vidas por ano, já que a pneumonia é a principal causa de morte de crianças em todo o mundo. Anualmente morre cerca de 1,4 milhão de crianças com menos de 5 anos, sendo que 99% dos óbitos ocorrem nos países em desenvolvimento.

 

A rede paquistanesa de agentes comunitários conta com 90 mil pessoas e foi criada em 1994 pela então primeira-ministra Benazir Bhutto – que morreu num atentado em 2007. O objectivo é melhorar a saúde materna e infantil e criar empregos para as mulheres, particularmente nas áreas rurais, onde vivem três quartos da população. Essas funcionárias, que são obrigadas a ter pelo menos o ensino básico, são responsáveis, cada uma, por 150 famílias.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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