Tratamentos para aumentar a testosterona poderão não melhorar saúde

Editorial publicado no “Journal of the American Medical Association”

24 março 2017
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A publicidade a fármacos para tratar baixos níveis de testosterona direcionada aos consumidores faz aumentar as prescrições, mas poderá não fazer melhorar a saúde dos homens que os consomem.
 
Richard Kravitz, médico de medicina interna na Universidade da Califórnia Davis, EUA, escreveu, num editorial de uma revista científica norte-americana, que o aumento da publicidade e de prescrições de tratamentos hormonais de substituição que teve início à volta do ano 2000 precedeu o estabelecimento de linhas orientadoras para os médicos, bem como estudos sobre a segurança dos produtos. 
 
Segundo ainda o especialista, tudo isto causou tratamentos desnecessários para os baixos níveis de testosterona ou para o hipogonadismo relacionado com a idade. “Entre 2000 e 2011 o uso da testosterona aumentou pelo menos três vezes nos Estados Unidos”, escreveu o médico. 
 
“Muitos homens que foram tratados com esses produtos não foram submetidos a exames apropriados para a deficiência de testosterona ou perfaziam os critérios para um diagnóstico de hipogonadismo”, continuou.
 
Richard Kravitiz, que é também investigador na área da melhoria da comunicação entre médico e paciente, fez menção a um estudo publicado na mesma edição da revista científica, segundo o qual “uma exposição adicional a um anúncio televisivo a uma terapia de substituição de androgénio estava associada a 14 novos exames, cinco novas iniciações e duas novas iniciações sem exames por cada milhão de homens expostos”, o que sugere que os pacientes respondem à publicidade direta e os médicos respondem aos pacientes. 
 
O especialista fez ainda menção a estudos clínicos que começaram a associar a substituição de androgénio a problemas cardiovasculares, o que levou a um decréscimo na publicidade a esses produtos. No entanto, com os produtos de testosterona tópicos “o mercado da substituição de androgénio continuou a ser substancial”.
 
Richard Kravitiz sugere a continuação de estudos nesta área, considerando que apesar de a publicidade direta ao consumidor ser “uma ferramenta potencialmente poderosa para motivar o comportamento dos pacientes e até as prescrições por parte dos médicos, não serve necessariamente para melhorar a saúde dos pacientes ou do público”.
 
A propensão para o hipogonadismo aumenta com a idade, com sintomas como perda de apetite sexual, cansaço e depressão. Este problema é diagnosticado através de análises ao sangue e sintomas e sinais clínicos, sendo tratado com produtos que fazem aumentar as hormonas reprodutivas masculinas, como os androgénios, em que a testosterona é a mais comum.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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