Tratamentos de infertilidade não afetam desenvolvimento das crianças

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

06 janeiro 2016
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As crianças concebidas através de tratamentos de infertilidade não são mais propensas a ter um atraso no desenvolvimento, comparativamente com aquelas que não são alvo deste tipo de tratamentos, dá conta um estuo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 
O estudo realizado pelos investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do Departamento de Saúde do Estado de Nova Iorque, nos EUA, poderá ajudar a diminuir as preocupações já há muito existentes sobre o facto de a conceção após o tratamento de infertilidade poder afetar o embrião numa fase sensível e provocar deficiências ao longo da vida.
 
Os investigadores não encontraram diferenças nas pontuações de avaliação do desenvolvimento de mais de 1.800 crianças nascidas de mulheres que tinham ficado grávidas após tratamentos de infertilidade e de mais de 4.000 crianças nascidas de mulheres que não foram submetidas a este tipo de tratamentos.
 
O estudo denominado por “Upstate KIDS” inclui crianças nascidas no Estado de Nova Iorque entre 2008 e 2010. Os pais das crianças cujas certidões de nascimento indicavam que as mães tinham sido submetidas a tratamentos de infertilidade foram convidados a inscrever os filhos na análise, assim como pais de gémeos. Os investigadores também recrutaram cerca de três vezes mais filhos únicos que não tinham sido concebidos através de tratamentos de infertilidade.
 
Quatro meses após o nascimento das crianças, as mães indicaram o tipo de tratamento de infertilidade que tinham recebido. Estes incluíram: fertilização in vitro, transferência de embriões congelados, eclosão assistida, transferência intratubária de gâmetas, transferência intratubária de zigotos, indução da ovulação e inseminação intrauterina.
 
Os pais foram também convidados a preencher um questionário para avaliação das limitações do desenvolvimento dos filhos, em diferentes momentos, ao longo dos três primeiros anos de vida das crianças. O questionário englobou cinco áreas do desenvolvimento: motricidade fina, motricidade grossa, comunicação, funcionamento pessoal e social e capacidade de resolução de problemas. 
 
O estudo apurou que as crianças que foram concebidas através de tratamentos de infertilidade apresentaram, relativamente às outras crianças, pontuações semelhantes nestas cinco áreas de avaliação do desenvolvimento.
 
Quando os investigadores consideraram apenas as crianças concebidas através de técnicas de reprodução assistida, verificaram que estas apresentavam um risco aumentado de falharem numa dos cinco domínios avaliados, principalmente no funcionamento pessoal e social, bem como na capacidade de resolução de problemas.
 
Contudo, verificou-se que os gémeos eram mais propensos a falhar nos domínios avaliados do que os filhos únicos. Após terem tido em conta estes dados, os investigadores não encontraram diferenças significativas nos cinco domínios avaliados entre as crianças incluídas no grupo de técnicas de reprodução assistida e as que constituíram o grupo de controlo.
 
Das crianças diagnosticadas com limitações entre os três e os quatro anos de idade, não houve diferenças significativas entre o grupo tratado e não tratado.
 
Uma vez que nem sempre é possível diagnosticar algumas limitações do desenvolvimento aos três anos de idade, os autores do estudo vão continuar a avaliar periodicamente as crianças até estas atingirem os oito anos de idade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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