Tratamentos de fertilidade sem sucesso: risco cardiovascular

Estudo publicado na revista “Canadian Medical Association Journal”

15 março 2017
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Um novo estudo demonstrou que as mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade sem sucesso apresentam um maior risco de virem a desenvolver doenças cardiovasculares no futuro em comparação com as mulheres que engravidam com os tratamentos. 
 
A equipa que conduziu o estudo foi liderada por Jacob Udell, investigador no Instituto de Ciências Avaliadoras Clínicas e cardiologista no Centro Cardíaco Peter Munk e do Hospital Universitário de Mulheres, Canadá, afirmou que existem muito poucos dados sobre os efeitos de longo-termo provocados pelos tratamentos de fertilidade como preparativo da fertilização in vitro (FIV), especialmente nas mulheres que não conseguiram engravidar.
 
“Descobrimos que dois terços das mulheres não conseguiram engravidar após terem recebido tratamento de fertilidade e que essas mulheres apresentavam um pior risco cardiovascular, especialmente um maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de insuficiência cardíaca, em comparação com o outro terço de mulheres que engravidaram e deram à luz um bebé”, avançou o autor principal do estudo.
 
Para o estudo, a equipa de investigadores procedeu à revisão de dados de 28.442 mulheres, com uma média de idades de 35 anos e que tinham sido submetidas a tratamentos de fertilidade entre 1993 e 2011. 
 
As mulheres foram seguidas até março de 2015, no sentido de identificar efeitos cardiovasculares adversos. Dois terços das mulheres não deram à luz, enquanto cerca de um terço (9.349) deu à luz após um ano de tratamento final.
 
Durante o período de monitorização (cerca de 8,4 anos) foram identificados 2.866 eventos cardiovasculares. Os tratamentos de fertilidade sem sucesso foram associados a um risco 19% mais elevado de problemas cardiovasculares, especialmente de insuficiência cardíaca e AVC, em comparação com as mulheres cujos tratamentos foram bem-sucedidos.
 
Isto é, o risco absoluto de eventos cardiovasculares para as mulheres que não engravidaram com o tratamento, foi de 10 eventos cardiovasculares por cada 1.000 mulheres no espaço de 10 anos. Nas mulheres que deram à luz após o tratamento de fertilidade, registaram-se 6 eventos cardiovasculares por cada 1.000 mulheres no mesmo espaço de tempo.
 
“Estes achados são consistentes com a hipótese de o tratamento de fertilidade poder representar uma indicação precoce de futura doença cardiovascular porque representa um teste de stress cardio-metabólico único”, explicam os autores. 
 
No entanto os autores não pretendem alarmar as mulheres que se submetem a este tipo de tratamentos; em vez disso sugerem que à medida que envelhecem tenham cuidado com a sua saúde e lembrem os seus médicos que receberam tratamento de fertilidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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