Tratamentos de fertilidade aumentam risco de tumor do ovário

Estudo publicado na “Human Reproduction”

31 outubro 2011
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A estimulação hormonal utilizada nos tratamentos de fertilidade aumenta o risco de desenvolvimento de tumores borderline do ovário, dá conta um estudo recente publicado na revista “Human Reproduction”.
 

Neste estudo, a equipa de investigadores liderada por Flora van Leeuwen, do Instituto Holandês do Cancro, na Holanda, analisou os dados de cerca de 25 mil mulheres que tinham problemas de infertilidade diagnosticados entre 1980 e 1995, na Holanda. Entre estas participantes, 19.146 foram submetidas a pelo menos um tratamento para estimulação dos ovários, que é uma das fases da fertilização in vitro, e 6.006 não foram tratadas.

 

Os investigadores constataram que 77 das participantes tinham desenvolvido doenças malignas do ovário. Os autores do estudo verificaram, de forma surpreendente, que entre as 61 mulheres que desenvolveram doenças malignas do ovário e que foram submetidas a tratamentos de fertilidade, 31 desenvolveram tumores borderline do ovário e 30 cancro do ovário invasivo. De acordo com os autores, esta proporção de tumores bordeline do ovário foi anormalmente elevada. Este tipo de tumores tem um baixo potencial de malignidade, ou seja, raramente são fatais, mas requerem tratamento cirúrgico.

 

Após terem ajustado factores que poderiam influenciar os resultados, como a idade, o número de filhos e causa da infertilidade, os investigadores constataram que as mulheres que foram submetidas a tratamentos para estimulação dos ovários apresentavam um risco significativamente maior de desenvolver tumores malignos de ovário do que aquelas que não foram submetidas a esse tratamento. No caso das doenças malignas dos ovários e para os tumores dos ovários, verificou-se um risco duas a quatro vezes superior, respectivamente, para as mulheres que foram submetidas ao tratamento de fertilização in vitro em comparação com as mulheres não tratadas.
 

De acordo com Flora van Leeuwen, este estudo mostra claramente que a estimulação dos ovários utilizada nos tratamentos de fertilização in vitro está associada a um maior risco de desenvolvimento de tumores borderline do ovário e que este risco se mantém elevado até 15 anos após o primeiro ciclo de tratamento.
 

Os investigadores estimam que o risco de desenvolvimento de doenças malignas dos ovários aumenta com o número de ciclos de tratamento. Contudo, isto ainda não foi verificado. A líder do estudo conclui que, se descobrirmos que as mulheres que são submetidas a vários ciclos de tratamento de fertilização in vitro ou a doses elevadas de fármacos para estimulação dos ovários têm um maior risco de sofrer de cancro do ovário, estas deverão ser informadas sobre os risco que correm em continuar com os tratamentos e deverão ser aconselhadas a descontinuar o tratamento após três a seis ciclos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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