Tratamento preventivo da enxaqueca: uma dor de cabeça?

Estudo conduzido pelo Johns Hopkins Headache Center

03 maio 2013
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Os tratamentos preventivos para a enxaqueca poderão trazer dores de cabeça adicionais aos pacientes, são as conclusões de um novo estudo publicado na revista científica “Journal of General Internal Medicine”.
 

A enxaqueca caracteriza-se por uma dor latejante, acompanhada de sensibilidade à luz e ao som, podendo ser incapacitante relativamente ao desempenho das atividades quotidianas. Só nos EUA, as enxaquecas afetam cerca de 12% da população.
 

Uma nova análise aos tratamentos preventivos demonstrou que os medicamentos prescritos conseguem prevenir metade ou mais das enxaquecas em 200 a 400 pessoas por cada mil que tinham recebido tratamento. No entanto, muitos dos medicamentos utilizados apresentavam efeitos secundários tão incomodativos que os indivíduos tiveram frequentemente que abandonar os tratamentos.
 

Jason Rosenberg, diretor do Johns Hopkins Headache Center, explicou que os efeitos secundários destes fármacos podem variar entre ganho de peso, queda de cabelo, causar defeitos de nascença (um fármaco), sonolência, dificuldades na prática de exercício físico, um risco acrescido de se desenvolver diabetes e efeitos secundários a nível sexual.
 

Segundo o diretor daquela instituição, que não esteve envolvido neste estudo, estes efeitos secundários poderão ocorrer devido ao facto de nenhum dos fármacos utlizados na prevenção das enxaquecas ter sido concebido especificamente para esse efeito. Sendo assim, não é de admirar que a sua ação não seja muito eficaz, e que só um terço das pessoas tratadas registem algumas melhorias, defende.
 

A nova pesquisa baseou-se numa revisão de mais de 5.000 estudos realizados sobre a prevenção da enxaqueca. Desse número, a equipa do Johns Hopkins Headache Center selecionou 215 publicações que envolviam ensaios clínicos aleatórios, considerados como o padrão de excelência no domínio da pesquisa, e 76 publicações sobre estudos não aleatórios.
 

A equipa de investigadores relatou que a maioria dos ensaios tinha sido patrocinada pela indústria e não divulgava conflitos de interesses pelos investigadores nesses estudos. Muitos desses estudos não consideravam também fatores chave, tal como o grau de intensidade das enxaquecas, outros problemas de saúde dos participantes, outros tratamentos para a enxaqueca utilizados, historial clínico e estatuto socioeconómico.
 

Os investigadores concluíram que os fármacos aprovados e os fármacos inibidores da enzima conversora da angiotensina utilizados para fins que não os indicados no rótulo (lisinopril, captopril e candesartan) ou os bloqueadores beta utilizados para fins que não os indicados no rótulo (metoprolol, acebutolol, atenolol e nadolol) revelaram-se eficazes na prevenção das enxaquecas em adultos. Os fármacos inibidores da enzima conversora da angiotensina utilizados para fins que não os indicados no rótulo demonstraram ser a combinação mais favorável de benefícios contra potenciais riscos.
 

O estudo revelou ainda que se verifica uma falta de pesquisa na área dos efeitos de longo termo dos tratamentos com fármacos, especialmente sobre a qualidade de vida.
 

Ainda segundo Jason Rosenberg, a utilização de fármacos para fins que não os indicados no rótulo, no tratamento da enxaqueca, constitui uma prática comum. No entanto o médico defende que “é totalmente inaceitável que todos os fármacos utlizados tenham sido desenvolvidos para outras doenças”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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