Tratamento precoce anti-VIH melhora sobrevivência de pacientes com tuberculose

Estudo publicado nos “Annals of Internal Medicine”

14 julho 2015
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Iniciar o tratamento anti-VIH nas duas semanas após o diagnóstico da tuberculose melhora a sobrevivência dos pacientes com as duas infeções, defende um estudo publicado na revista “Annals of Internal Medicine”.
 
A infeção com VIH pode promover a progressão e o desenvolvimento de uma nova infeção de tuberculose após a exposição inicial ao Mycobacterium tuberculosis, o agente causador da tuberculose. Tratar o VIH e a tuberculose simultaneamente é um desafio por várias razões, incluindo a necessidade de os pacientes terem de tomar vários comprimidos diversas vezes ao dia para cada infeção, assim como devido a interações medicamentosas e efeitos secundários.
 
“Atualmente a Organização Mundial de Saúde recomenda iniciar em primeiro lugar o tratamento da tuberculose, seguido do VIH o mais cedo possível, dentro de duas a oito semanas, para pacientes com sistemas imunológicos moderados a severamente comprometidos, mas não há provas conclusivas para orientar o tratamento de outros níveis de imunossupressão ", revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Jean B. Nachega. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, decidiram avaliar qual seria o melhor momento para iniciar o tratamento do VIH. Para tal, os cientistas realizaram uma revisão sistemática de dados de mais de 4.500 indivíduos que participaram em oito ensaios clínicos de iniciação precoce da terapia antirretroviral.
 
Os investigadores apuraram que a taxa de sobrevivência era maior entre os pacientes que tinham começado a terapia antirretroviral nas duas semanas após o início do tratamento da tuberculose e também para aqueles que tinham uma quantidade de linfócitos TCD4 inferior a 0,50 x 109 células/litro. Este tipo de contagem é indicadora de uma supressão severa do sistema imunitário devido à infeção por VIH. 
 
"Os nossos resultados vão ao encontro das orientações que recomendam o início precoce da terapia antirretroviral em pacientes com um elevado grau de comprometimento do sistema imunológico. Contudo, atrasar a terapia antirretroviral pode ser possível até ao final do tratamento da tuberculose em pacientes com contagens de linfócitos TCD4 superiores a 0,220 x 109 células/litro, o que poderia reduzir os problemas associados à toma de dois regimes terapêuticos complexos simultaneamente”, referiu o investigador.
 
Jean B. Nachega refere ainda que existem outras evidências emergentes que mostram os benefícios clínicos e de saúde pública associados ao início precoce do tratamento do VIH, incluindo a diminuição de comorbidades resultantes da inflamação causada pelo VIH e diminuição da transmissão sexual deste vírus.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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