Tratamento inovador para o cancro traz esperança e desafios

Estudo publicado na revista “Health Affairs”

06 outubro 2017
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O primeiro tratamento genético para o cancro, aprovado pela Food and Drug Administration (Administração de Produtos Alimentares e Farmacêuticos) dos EUA, traz paralelamente esperança e desafios.
 
O novo tratamento conhecido como Kymriah (tisagenlecleucel) foi aprovado em agosto passado e irá transformar o tratamento de um certo tipo de cancro em crianças e jovens, a leucemia linfoblástica aguda: as próprias células imunitárias do paciente são usadas para atacar as células cancerígenas.
 
Adquirido pelo gigante farmacêutico Novartis, o Kymriah foi alvo de discussão na edição de outubro da revista “Health Affairs”. São postas em paralelo a promessa que traz o novo tratamento, assim como variados desafios para os responsáveis pela elaboração de diretrizes, nomeadamente, no que concerne a acessibilidade, segurança e custo.
 
O novo tratamento foi desenvolvido para tratar crianças e jovens com leucemia linfoblástica aguda que não tinham respondido à primeira linha de tratamento.
 
O tratamento com células CAR-T, ou seja, células T modificadas com recetor de antígeno quimérico (CAR), consiste na manipulação genética das células T (glóbulos brancos do sistema imunitário) do próprio paciente. As células T manipuladas são depois injetadas na corrente sanguínea do paciente e atacam as células cancerígenas. 
 
Os ensaios clínicos conduzidos pela Novartis demonstraram que 52 pacientes, de um total de 63, se encontravam em remissão três meses após uma infusão. No entanto, o Kymriah produziu efeitos neurológicos potencialmente fatais e outros efeitos secundários graves em 76% dos pacientes, assim como faz aumentar o risco de o paciente desenvolver cancros secundários.
 
Os autores do artigo consideram assim que é necessário ponderar cuidadosamente a participação de pacientes com cancro num estudo, e garantir que todos os formulários de consentimento indiquem claramente os possíveis efeitos secundários adversos. 
 
A Food and Drug Administration exigiu que a Novartis efetuasse um estudo de pós-marketing sobre a segurança e eficácia do Kymriah.
 
Relativamente ao acesso ao tratamento, devido ao facto de o mesmo requerer uma elevada especialização para manipular as células T dos pacientes, administrar a infusão no paciente e tratar os efeitos secundários, este não estará inicialmente disponível a muitos pacientes.
 
O custo do tratamento limita a possibilidade de acesso ao mesmo, já que uma infusão ficará na ordem dos 500 mil euros. 
 
Os autores argumentam que se o tratamento CAR-T for eficaz e seguro os benefícios serão enormes. No entanto, este tratamento é também muito dispendioso, será de acesso limitado e levantará desigualdades relativamente a acessibilidade e resultados de saúde.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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