Tratamento inovador do cancro no cérebro em fase de ensaio

Estudo desenvolvido pela University of California, San Diego, EUA

23 agosto 2013
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A University of California San Diego (UCSD), EUA, efetuou o primeiro tratamento genético guiado em tempo real por ressonância magnética em pacientes com cancro no cérebro.

 

Conduzido por neurocirurgiões da School of Medicine e do Moores Cancer Center da UCSD, a ressonância magnética foi utilizada como forma de direcionar o tratamento genético de forma a dirigi-lo diretamente para os tumores cerebrais.

 

Este passo constitui um avanço no ensaio clínico do novo fármaco denominado Toca 511 (vocimagene amiretrorepvec), para o cancro. A tecnologia de navegação através de ressonância magnética, denominada ClearPoint, permite aos neurocirurgiões injetarem o fármaco diretamente no tumor cerebral. Esta tecnologia oferece confirmação visual sobre a injeção da quantidade correta de fármaco no tumor, permitindo aos clínicos efetuarem ajustamentos para otimizarem o local de injeção do fármaco.

 

O Toca 511 é um tratamento genético que está em investigação e que funciona como retrovírus que se replica de forma seletiva nas células cancerígenas, tal como os glioblastomas (tumores cerebrais). Este fármaco cria uma enzima que modifica um fármaco antifúngico denominado flucitosina (5-FC) para um fármaco anticancerígeno denominado 5-fluorouracilo (5-FU). Após esta injeção os pacientes recebem uma fórmula oral denominada Toca FC. Assim que a Toca FC entra em contacto com as células infetadas com Toca 511, as células cancerígenas começam a ser exterminadas.

 

Já tinham sido feitas tentativas com tratamentos genéticos mas esses não tinham sido bem-sucedidos devido à barreira protetora de sangue do cérebro, que é um mecanismo de defesa natural. Este mecanismo não permitia que os fármacos anticancerígenos atuassem sobre as células cancerígenas. No entanto, o 5-FC consegue penetrar essa barreira sanguínea cerebral, o que significa que a injeção direta de Toca 511 no tumor possibilita quimioterapia seletiva na massa tumoral.

 

Segundo a equipa que procedeu a este tratamento, o procedimento com ClearPoint é minimamente invasivo e todos os participantes no ensaio clínico tiveram alta e puderam voltar às suas atividades normais um dia após o procedimento. Os pacientes, para poderem participar neste ensaio clinico, têm que ser maiores de 18 anos, ter um único grau de recorrência de glioma e ter anteriormente sido submetidos a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

 

Segundo Clark Chen, diretor de estereotáxica e de radiocirurgia e vice-presidente de neurocirurgia da UCSD, este método é preferível à quimioterapia porque “com a quimioterapia”, afirma, “ praticamente todas as células humanas estão expostas aos potenciais efeitos colaterais do fármaco. Com a utilização da abordagem de injeção direta, acreditamos que conseguimos limitar a presença do fármaco ativo apenas no tumor cerebral e em mais sítio nenhum do organismo”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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