Tratamento hormonal de substituição é demasiado arriscado

Investigadores suspendem estudo em mulheres na menopausa

03 fevereiro 2004
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Cientistas suecos anunciaram a suspensão de um estudo sobre os efeitos da terapia hormonal de substituição em mulheres que tiveram cancro da mama devido ao risco «inaceitavelmente alto» de recorrência revelado nos primeiros resultados.As suas conclusões, hoje publicadas na revista médica britânica The Lancet, acrescentam elementos à já sólida constatação de que o uso de hormonas de substituição para controlar os sintomas da menopausa representa riscos significativos para a saúde.Há oito meses, cientistas do governo dos Estados Unidos interromperam abruptamente o maior estudo realizado no país sobre a utilização da terapia de substituição com as hormonas estrogénio e progestina, afirmando que o seu uso a longo prazo aumentava o risco de cancro da mama, acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos. O estudo envolveu mulheres que já tinham passado a menopausa.No ano passado, um estudo britânico concluiu que as mulheres submetidas a tratamento com hormonas de substituição tinham um risco 22 vezes superior de morte por cancro da mama e que as tratadas com estrogénio e progestina juntas tinham um risco maior do que as tratadas só com estrogénio.Os médicos suecos, dirigidos por Lars Holmberg, do Hospital da Universidade de Uppsala, tencionavam seguir as suas pacientes durante cinco anos. Todavia, suspenderam o estudo a 17 de Dezembro ao verificarem os resultados de 345 mulheres que seguiram durante cerca de dois anos. Metade dessas mulheres tinham sido tratadas com hormonas de substituição, tendo a outra metade recebido o melhor tratamento não hormonal para os sintomas da menopausa.Ao contrário das investigações anteriores, o estudo sueco não encontrou diferenças significativas de riscos entre tipos de tratamentos hormonais. O estudo foi interrompido porque as sobreviventes de cancro submetidas a terapia hormonal estavam expostas a «um risco inaceitavelmente alto» de recorrência, escreveram os cientistas.Num comentário que acompanha o artigo, os especialistas norte-americanos Rowan Chlebowski e Nananda Col sublinham que as conclusões dos investigadores suecos mostram que mesmo uma terapia hormonal de curta duração pode implicar um risco elevado de cancro da mama nas mulheres que já sofreram desta patologia. Em consequência disso, preconizam tratamentos «alternativos e seguros» para aliviar nos seus casos as perturbações da menopausa.Fonte: Lusa

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