Tratamento do cancro: i3S lidera projeto de 2,5 milhões

Projeto “CANCEL STEM – Estaminalidade das células do cancro”

08 fevereiro 2017
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No âmbito projeto “CANCEL STEM – Estaminalidade das células do cancro” cerca de 75 investigadores de 18 equipas de investigação portuguesas uniram esforços para explorar novas formas de compreender e combater o cancro.
 
Segundo a notícia veiculada no sítio da Universidade do Porto (UP), este projeto foi financiado pelo Portugal 2020 em 2,5 milhões de euros e é liderado pelo i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde.
 
O objetivo do projeto, que conta também com a colaboração dos investigadores da Universidade de Coimbra, e do Instituto Gulbenkian de Ciência consiste em compreender as características quasi-estaminais de algumas células cancerígenas e, com isso, desenvolver novas abordagens de tratamento em Oncologia.
 
De acordo com Joana Paredes, investigadora do i3S, este projeto “não só vai permitir consolidar a investigação nacional em “Cancer Stem Cells“, uma área que se encontra muito fragmentada no nosso país, como vai permitir convergir esforços de excelentes investigadores que trabalham em três áreas distintas, mas complementares”. 
 
Segundo a notícia da UP, nos próximos três anos, os investigadores pretendem identificar particularidades únicas das células tumorais com características estaminais, compreender o seu funcionamento, identificar os alvos potenciais e diferenciadores na superfície dessas células, e desenhar fármacos que as ataquem, bem como desenvolver formas de transportar esses fármacos. 
 
A coordenadora do projeto explica que, “na maioria das abordagens terapêuticas, os tumores são considerados como uma massa homogénea de células. No entanto, muitos trabalhos recentes têm demonstrado que apenas uma pequena percentagem das células neoplásicas que constituem um tumor têm capacidade de o regenerar”, sendo estas responsáveis pelas elevadas taxas de recidiva em doentes oncológicos. 
 
Este conjunto de células tumorais adquirem, por alguma razão, propriedades muito semelhantes às células estaminais normais, sendo capazes de se autorrenovarem, de se diferenciarem nas restantes células do próprio tumor, e de serem resistentes às terapias convencionais.
 
“Os cancros formam tecidos anómalos que invadem os tecidos vizinhos e, eventualmente, tecidos mais distantes, quando se inicia o processo de metastização. As abordagens mais comuns para combater estas massas de células tumorais passam pela identificação das mutações genéticas que caracterizam as células tumorais e, dessa forma, procuram identificar alvos específicos para administração de fármacos também específicos. Contudo, mesmo depois da remoção e do tratamento dos tumores, surgem frequentemente recidivas e novas metástases”, refere a UP.
 
Joana Paredes defende que, as células tumorais com características estaminais poderão ser de facto as responsáveis por estas recidivas. Sabe-se que essas células, por terem características estaminais, não expressam os mesmos marcadores que as restantes, podendo, por isso, escapar aos tratamentos específicos.
 
A investigadora acrescenta que é complicado diferenciar as células tumorais com características estaminais das células estaminais propriamente ditas. Desta forma atacar umas sem destruir as outras parece, para já, virtualmente impossível. É neste âmbito que o projeto CANCEL STEM se propõe atuar.
 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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