Tratamento do cancro colo-rectal menos invasivo

Fundação Champalimaud participa no projeto

16 julho 2013
  |  Partilhar:

A Fundação Champalimaud vai participar num projeto europeu “ambicioso”, o “Human Brain Project”, que reproduzirá um modelo do cérebro humano em computador e a criação de uma equipa para tratar o cancro colo-retal de forma menos invasiva e mutiladora.
 

A notícia avançada pela agência lusa refere que este “grande empreendimento europeu” é um projeto de investigação que abrange 200 investigadores em todo o continente e 80 laboratórios diferentes, deverá durar 10 anos e será financiado por mil milhões de euros, revelou a presidente Leonor Beleza.
 

Outra novidade apresentada por Leonor Beleza foi a criação de uma equipa para trabalhar na área do cancro colo-retal, sob a direção de um médico do Reino Unido, “considerado o papa da cirurgia colo-retal, que introduziu técnicas muito menos mutilantes do que tradicionalmente são”.
 

“Acabámos de constituir uma equipa para abordar o cancro colo-retal”, disse, explicando que este grupo de trabalho nasceu da vontade de “investir de maneira particular na área do cancro colo-retal, um cancro com grande incidência em Portugal, que causa grande mortalidade, causa muito sofrimento e muita mutilação na forma como é normalmente abordado”.
 

“Muitas vezes a cirurgia afeta funções essenciais das pessoas e fá-las passar a viver com muito menos qualidade de vida”, afirmou, justificando assim a necessidade que a fundação sentiu de procurar formas menos mutilantes de abordagem e que preservem as condições das pessoas, não investindo imediatamente, e enquanto for possível, com meios de tratamento de cancro que são invasivos.

 

A técnica é baseada numa vigilância ativa e que só recorre a um ataque de forma agressiva se o cancro se apresentar também de forma muito agressiva e for necessário intervir imediatamente. Mesmo nestes casos, em que é necessário uma abordagem de caráter cirúrgico, o objetivo é tentar que esta “preserve as funções essenciais das pessoas e não lhes cause mutilação para o resto da vida”.

 

O agora diretor da Unidade de Cancro Colo-Retal da FC, Bill Heald, explicou aos jornalistas que o ponto está em não fazer a cirurgia rapidamente, mas “devagar, cuidadosamente e removendo de forma segura uma parte muito precisa, que controle todo o cancro”.

 

No entanto, sublinha, por melhor trabalho que o cirurgião faça, há áreas do cancro disseminadas localmente que não vão ficar controladas e, nestes casos, é necessário recorrer a tratamentos com radiação, guiados através de imagem por ressonância magnética.

 

“É uma ideia revolucionária que destrói o tumor, com imagens bem focalizadas em áreas de destruição muito bem mapeadas”, explicou.
O especialista faz a comparação com a diferença entre um “horrível bombardeamento” que destrói toda uma cidade e o envio de um míssil guiado, que apenas atinge a base militar, o que “com esta máquina é possível” para o cancro.

 

Relativamente à criação de uma escola para formação de profissionais em radioterapia com recurso ao acelerador linear, anunciada pela presidente da Fundação Champalimaud em 2012, Leonor Beleza anunciou que “o primeiro curso terá lugar a seguir ao verão”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.