Tratamento do AVC reduz 6% das mortes

Dados de dois estudos científicos

23 outubro 2015
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Um tratamento do acidente vascular cerebral (AVC), que remove o coágulo do cérebro através de um cateterismo, é capaz de reduzir o número de mortes em 6%. Adicionalmente metade dos doentes retomam a sua vida normal, segundo estudos científicos publicados este ano.
 
Este tratamento já existe há alguns anos e está disponível em vários hospitais públicos, mas a técnica não era usada de forma rotineira, porque a sua eficácia ainda não estava comprovada, explicou à agência Lusa Joana Graça, a organizadora do Congresso Nacional de Neurorradiologia, que decorre de 23 a 25 de outubro, onde este e outros temas relacionados com o AVC (Acidente Vascular Cerebral) vão ser debatidos.
 
Os estudos publicados no “The New England Journal of Medicine” sobre o cateterismo arterial, ou trombectomia mecânica, comprovaram a eficácia deste tratamento e demonstraram que é “possível diminuir significativamente o número de mortes (6%) por AVC e permitir que cerca de 50% das pessoas que sofreram um AVC possam retomar a sua vida normal”.
 
“Os estudos começaram a sair no início do ano e a Sociedade Europeia de Neurorradiologia começou a recomendar o tratamento”, disse a médica, considerando que é necessário desenvolver a urgência da neurorradiologia nos hospitais, porque esta técnica tem de ser feita o mais rapidamente possível após o início dos sintomas.
 
Este tratamento deve ser realizado idealmente até às seis horas após o início dos sintomas, mas em casos selecionados pode estender-se até às 12 horas após o início do AVC.
 
Esta técnica realizada por médicos neurorradiologistas consiste no cateterismo cerebral, ou seja, na navegação no interior dos vasos sanguíneos com dispositivos que vão diretamente ao local da oclusão e permitem a remoção do coágulo.
 
Em Portugal, o Hospital de São José foi pioneiro na utilização desta técnica, que atualmente já é praticada também nas unidades hospitalares de Santo António, São João, Braga, Gaia, Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, bem como, a sul do país, nos hospitais de Santa Maria, Garcia de Orta e Egas Moniz.
 
Os estudos de análise custo-eficácia revelaram que, apesar do custo inicial desta terapêutica ser elevado para o Estado, a longo prazo é eficaz e sai mais barato – tendo em conta os ganhos em anos de vida com qualidade – do que tratar as consequências de um AVC que deixe doentes dependentes de onerosos cuidados de saúde, explicou Joana Graça.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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