Tratamento do “jet lag” a caminho?

Estudo publicado na revista “Journal of Physiology”

20 abril 2017
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu um novo grupo de células na retina que poderão ser a chave para a elaboração de tratamentos para aliviar o “jet lag”.
 
Num estudo conduzido pela Universidade de Edimburgo, os cientistas descobriram, através de ensaios em ratazanas, que essas células da retina afetam o relógio biológico através do envio de sinais para uma região de cérebro que regula o ritmo circadiano (diário).
 
Os relógios biológicos são sincronizados através das alterações de luz/escuridão, sendo relevantes nos padrões da temperatura corporal, produção hormonal, atividade cerebral e outros processos fisiológicos.
 
A perturbação do relógio biológico pode dar origem a problemas de saúde como depressão, problemas cardiovasculares e gastrointestinais e a um maior risco de cancro.
 
Para o estudo, a equipa interferiu com a sinalização da informação sobre a luz enviada para uma região do cérebro que coordena o ritmo circadiano, conhecida como núcleo supraquiasmático (NSQ), através de inúmeras moléculas sinalizadoras diferentes, incluindo a hormona vasopressina. A retina sinaliza as alterações à luminosidade ambiental, mas não se sabia como funciona este processo.
 
Os investigadores efetuaram uma série de testes fisiológicos aos roedores que demonstraram que as células que expressam a vasopressina na retina estão diretamente envolvidas na regulação do ritmo circadiano. 
 
Este estudo demonstra pela primeira vez que a retina possui a sua própria população de células que expressam a vasopressina e que comunicam diretamente com o NSQ, estando envolvidas na regulação do ritmo circadiano.
 
Este achado permite perceber a forma como o relógio biológico é regulado pela luz e abre novas oportunidades de tratamentos para voltar a regular o ritmo circadiano através dos olhos, sempre que este sofre alterações, como em quem trabalha por turnos ou viaja grandes distâncias e fica com “jet lag”.
 
“Os nossos aliciantes resultados demostram potencialmente uma nova via farmacológica para manipular os nossos relógios biológicos interno”, comenta Mike Ludwig, docente de Neurofisiologia na Universidade Edimburgo.
 
“Estudos futuros que alterem a sinalização da vasopressina através do olho podem originar o desenvolvimento de gostas para os olhos para eliminar o “jet lag”, mas ainda estamos longe disso”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Image CAPTCHA
Enter the characters shown in the image.