Tratamento de infertilidade implica cesariana?
26 novembro 2001
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As mulheres que fazem tratamento contra a infertilidade são mais propensas à cesariana e a optar pela cirurgia mesmo que não exista necessidade médica.
 

 

No estudo, as mulheres com mais de 40 anos que não tinham filhos e conceberam após um tratamento contra infertilidade foram quatro vezes mais propensas à cesariana do que as gestantes da mesma faixa etária que conceberam de forma espontânea.
 

 

Segundo o artigo publicado na edição de Outubro do American Journal of Obstetrics and Gynecology, 64% das pacientes submetidas a tratamentos contra infertilidade optaram por cesariana, comparadas a pouco mais de 21% das mulheres que não fizeram tratamento. Das cesarianas feitas por opção da mãe muitas eram completamente desnecessárias. Segundo os médicos envolvidos neste trabalho, a frequância de cesarianas desnecessárias foi cerca de sete vezes maior em pacientes submetidas a tratamento de infertilidade.
 

 

«Sem dúvida, esta tendência reflecte uma ansiedade maior que acompanha a administração da gestação de pacientes mais velhas em geral e as tratadas contra infertilidade em particular, que poderiam não ter outra oportunidade para ter filhos», explicou a equipa liderada por Eyal Sheiner, da Universidade Ben Gurion, em Beer Sheva (Israel).
 

 

Em geral, as gestantes mais velhas são mais propensas a ter problemas médicos como a diabetes e a hipertenção relacionadas com a gravidez. Estas mulheres também têm uma tendência mais acentuada para que os seus filhos apresentem anomalias cromossómicas e um risco do parto ser cirúrgico também é maior.
 

 

O estudo incluiu 115 mulheres com mais de 40 anos com gestações de um só feto. Da amostra de estudo, foram 35 as mulheres que fizeram tratamentos de infertilidade. Destas, mais de 71% submeteram-se a cesariana enquanto que apenas 41% conceberam naturalmente.
 

 

As mulheres que recorreram ao tratamento de infertilidade foram cerca de cinco vezes mais propensas a ter um bebé com baixo peso ao nascer. O peso baixo ao nascer está associado à possibilidade de problemas de desenvolvimento e de aprendizagem.
 

 

Mais de 34% do grupo submetido ao tratamento contra infertilidade teve filhos com menos de 2,5 quilos, comparado a 10% das mulheres que não fizeram o tratamento. Segundo os investigadores, isto poderia resultar do facto de os bebés concebidos com ajuda médica terem nascido um pouco mais cedo.
 

 

«Alguns médicos podem tender a optar pela forma aparentemente mais simples de intervenção directa com cesariana em gestações em que a concepção foi difícil e em que a possibilidade de ocorrer outra gestação no futuro é quase nula», concluíram os investigadores.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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