Tratamento de Alzheimer suspende progressão de sintomas durante três anos

Relatório de ensaio apresentado na Alzheimer’s Association International Conference

25 julho 2012
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Pacientes envolvidos na segunda fase de um ensaio clínico para testar a imunoglobulina intravenosa (IVIG) como imunohemoterapia para a doença de Alzheimer não apresentaram progressão de sintomas durante o período do tratamento, revelou um relatório divulgado na Alzheimer’s Assocation International Conference, em Vancouver, Canadá.
 

A IVIG é um hemoderivado utilizado maioritariamente para tratar pacientes com deficiências imunitárias, doenças autoimunes e infeções agudas. Cada dose é administrada por via intravenosa e contém anticorpos extraídos do plasma de mais de mil dadores.
 

Norman Relkin, do Weil Cornell Medical College, em Nova Iorque, EUA, e líder da investigação, afirmou que “este é o primeiro estudo a revelar a estabilização dos sintomas de Alzheimer com IVIG. Embora o número de participantes possa limitar a fiabilidade dos nossos achados, estamos muito entusiasmados com os resultados.”
 

O estudo, que teve a duração de três anos, consistiu na extensão de um outro estudo de 18 meses que apresentou resultados positivos. Nesse ensaio clínico inicial, parte dos 24 pacientes recebeu um placebo e os restantes receberam várias doses de IVIG durante os primeiros seis meses. Nos últimos 12 meses, todos os participantes receberam várias doses de IVIG. Na versão alargada do estudo, 16 dos 24 pacientes continuaram a realizar este tratamento durante mais 18 meses, totalizando 36 meses. Todos receberam uma dose de 0,4 mg/kg de duas em duas semanas, incluindo cinco dos pacientes que tinham inicialmente recebido placebo. Todos os pacientes foram avaliados no início e durante várias etapas do estudo, utilizando formulários  padronizados para medir capacidades cognitivas, memória, capacidade de realizar tarefas quotidianas e estado de espírito.
 

Os resultados demonstraram que os pacientes que receberam IVIG durante os 36 meses apresentaram os melhores resultados, não evidenciado progressão dos sintomas de Alzheimer no final dos três anos. O grupo dos cinco pacientes que recebeu placebo nos primeiros seis meses e que passou depois a receber IVIG apresentou progressão dos sintomas, enquanto tomava placebo. Contudo, a partir do momento em que passou a receber IVIG apresentou melhores resultados em termos de capacidades cognitivas, comportamentais e funcionais nas tarefas quotidianas.
 

A terceira fase do estudo já se encontra em curso e em breve os investigadores esperam poder apresentar dados mais definitivos acerca da eficácia de 18 meses de tratamento com IVIG. Caso esta fase seja bem-sucedida e o fármaco possa ser produzido a um custo viável é possível que o mesmo se encontre disponível nas farmácias dentro de 10 anos.
 

Os motivos pelos quais o IVIG atua sobre os sintomas da Alzheimer não são ainda totalmente conhecidos. Muitos cientistas acreditam que pode ter a ver com o facto de os anticorpos se ligarem à proteína beta amiloide, eliminarem esta ou bloquearem os seus efeitos tóxicos nas células cerebrais. A beta amiloide é o principal componente das placas amiloides, os depósitos encontrados no cérebro de doentes com Alzheimer.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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