Tratamento da dor com veneno de caracol marinho?

Estudo publicado na revista na “Nature Communications”

02 abril 2014
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O veneno letal do caracol marinho poderá ser utilizado no tratamento da dor crónica em doentes com cancro, sida, Alzheimer ou diabetes, refere um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

“Estes caracóis marinhos têm uma grande diversidade de venenos, alguns de extrema potência, que conseguem ser dez mil vezes mais potentes que a morfina”, sem ter as suas consequências viciantes e os seus efeitos colaterais, revelou à agência Lusa o geneticista Agostinho Antunes, que participou na investigação.
 

Este estudo comprova, pela primeira vez, que um animal venenoso utiliza venenos distintos para caçar presas e defender-se de predadores. “No sentido prático, este conhecimento abre caminho para a identificação de novas toxinas de venenos que atuam no sistema nervoso humano, podendo resultar em novos tratamentos para a dor crónica”, refere o estudo realizado por uma equipa de investigadores australianos conjuntamente com investigadores Kartik Sunagar e Agostinho Antunes do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Porto.
 

De acordo com o estudo, os venenos de caracóis marinhos do género Conus englobam as estratégias mais sofisticadas de envenenamento conhecidos no reino animal, permitindo que estes pequenos e lentos animais capturem vermes, moluscos e mesmo peixes.
 

“Conhecer os venenos destes animais é importante para tentar desenvolver antídotos contra esses venenos, mas, ao mesmo tempo, permite também a descoberta de novas moléculas que podem ter aplicação farmacológica”, disse Agostinho Antunes.
 

Cada uma das espécies de caracóis marinhos Conus produz mais de mil conopeptidos distintos, estando muito poucos destes compostos, caracterizados farmacologicamente. Estes compostos têm grande potencial como fármacos analgésicos, nomeadamente como alvo de recetores específicos da dor humana.
 

Este estudo destaca o inibidor Prial aprovado pelo FDA nos Estados Unidos da América, em 2004, sendo utilizado para tratar a dor intratável. “O tratamento da dor neuropática crónica com conopeptidos pode assim estender-se a pacientes que sofram de cancro, artrite, herpes, diabetes, Alzheimer, Parkinson e SIDA”, refere o investigador.
 

“As pessoas que sofrem de determinadas patologias que lhes causa imensa dor, como cancro, diabetes, artrite, ou Alzheimer, podem vir a ser tratados com este tipo específico de droga que é bastante potente e tem uma importância bastante grande para a saúde humana”, conclui Agostinho Antunes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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