Tratamento da doença de Parkinson despoleta criatividade

Estudo publicado na revista “Behavioral Neuroscience”

17 janeiro 2013
  |  Partilhar:

A toma de fármacos, capazes de aumentar a atividade da dopamina no cérebro, pelos pacientes com doença de Parkinson está a conduzir ao desenvolvimento de novos talentos criativos nomeadamente ao nível da pintura, escultura e escrita, dá conta um estudo publicado na revista “Behavioral Neuroscience”.
 

A investigadora Rivka Inzelberg da Tel Aviv University, em Israel, deparou-se com este fenómeno quando os seus pacientes lhe começaram a oferecer obras de arte da sua autoria. Após ter analisado vários casos, a investigadora conclui que todos os pacientes que se tinham tornado mais criativos estavam a ser medicados com percursores sintéticos da dopamina ou com agonistas do recetor deste neurotransmissor.
 

Rivka Inzelberg explica que a dopamina está envolvida em várias vias do sistema neurológico e que ajuda na transmissão dos comandos motores. Na verdade, a ausência deste transmissor nos pacientes com doença de Parkinson está associada aos tremores e à dificuldade de coordenação dos movimentos. No entanto, a dopamina está também envolvida no sistema de recompensa.
 

A investigadora refere que há muito que se sabe que a dopamina e a arte estão associadas, citando o exemplo do pintor Vincent Van Gogh que sofria de psicose. É possível que a sua criatividade fosse o resultado da sua psicose, a qual acredita-se ser causada por um aumento espontâneo dos níveis de dopamina no cérebro.
 

O estudo refere que os talentos desenvolvidos pelos pacientes foram vários. Rivka Inzelberg dá o exemplo de um arquiteto que começou a desenhar e pintar figuras humanas após o tratamento, ou um paciente que se tornou um poeta premiado. Na opinião da investigadora é possível que estes pacientes estejam a expressar talentos latentes, que nunca tiveram coragem de mostrar anteriormente.
 

Os tratamentos indutores da dopamina estão também associados à perda do controlo do impulso, resultando por vezes em comportamentos associados à prática de hobbies ou de jogos de uma forma excessiva. Este aumento da motivação artística pode também estar associado a esta redução da inibição, permitindo que os pacientes abracem a sua criatividade.
 

De acordo com Rivka Inzelberg estas expressões artísticas têm um potencial terapêutico promissor, tanto a nível psicológico como fisiológico. Foi também constatado que alguns pacientes se sentiam mais felizes quando estavam ocupados com os trabalhos de arte e as suas limitações motoras diminuíram significativamente.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 3Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.