Tratamento contra HIV mal testado no Uganda

Casos de resistência ao vírus e mortes não declarados

17 dezembro 2004
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 Em Janeiro de 2003, o Presidente Bush anunciou um plano de emergência para o combate à sida, no qual iriam ser investidos 15 mil milhões de dólares ao longo de cinco anos. O objectivo era evitar sete milhões de novos infectados, garantir tratamento a dois milhões de pessoas e cuidados de saúde a outros dez milhões. Caso fosse bem executado, salvaria milhões de vidas.Desde 1997 que o Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA tinha em curso no Uganda uma investigação sobre a eficácia da aplicação de doses individuais do antiviral nevirapine no bloqueio da transmissão do HIV da mãe para o filho, e o estudo tinha mostrado que a transmissão era reduzida para metade dos casos. Em 2002, Edmund C. Tramont, chefe da investigação sobre HIV no NIH, escrevia num relatório que a investigação no Uganda não estava a ser acompanhada por registos fiáveis e que o controlo era tão mal feito que os técnicos de saúde tinham de fazer análises de sangue a posteriori para saberem se tinha ou não sido ministrado aos doentes o nevirapine. O NIH nunca informou a Casa Branca sobre o que acontecia no terreno.Desde essa altura, foram administradas centenas de milhares de doses do medicamento a mães e bebés africanos. Os funcionários do NIH garantem que foi possibilitado a metade desses bebés evitar serem infectados, mas há especialistas a defender que esses bebés podem ter adquirido resistências ao tratamento. A Westat, a empresa que no terreno auditava o estudo, confirmava que «muitos acontecimentos adversos para a mãe e o bebé não terão sido registados ou comunicados a tempo». A Westat também descobriu 14 mortes não registadas na documentação do estudo.O NIH acabou por suspender o programa na Primavera de 2002, mas, neste momento, as posições estão divididas: Os serviços de saúde sul-africanos recomendaram o fim da administração das doses únicas, receando criação de resistências, mas o director de um hospital sul-africano diz que «não é ideal, mas funciona. Sem ele, muitos bebés teriam morrido».Fonte: Diário de Notícias  

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