Transplantes facilitados por porcos transgénicos

Criadas porquinhas sem o gene responsável por rejeição aos órgãos transplantados

03 janeiro 2002
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Cinco porquinhas que nasceram na noite de Natal foram a melhor prenda para os cientistas da empresa de biotecnologia PPL Therapeutics. Noel, Angel, Star, Joy e Mary, ou seja, Natal, Anjo, Estrela, Alegria e Maria são porquinhas transgénicas clonadas, ou seja, são todas geneticamente idênticas e o seu ADN foi modificado de forma a não terem um gene envolvido nas reacções agudas de rejeição aos transplantes de órgãos.
 

 

A utilização desta técnica para criar órgãos de porco compatíveis com seres humanos que precisam de um transplante é o objectivo da empresa.
 

 

A PPL Therapeutics nasceu no Instituto Roslin, na Escócia, e tornou-se conhecida pela criação da ovelha Dolly - o primeiro mamífero adulto clonado do mundo. Mas, nos últimos anos, as células indiferenciadas ou estaminais têm concentrado a maior parte das atenções: espera-se poder criar embriões em laboratório para criar transplantes de células ou órgãos para tratar doenças hoje incuráveis, através da técnica usada para criar a Dolly e assim usar o património genético do próprio doente.
 

 

Por isso, a alternativa dos xenotransplantes - órgãos de animais cujo património genético foi modificado, de forma a não ser rejeitado pelo sistema imunitário humano - tem ficado um bocado para trás.
 

 

Com esta mudança de interesse, a PPL Therapeutics começou a ter falta de dinheiro, embora tenha continuado a trabalhar na criação de animais transgénicos e clonados para transplantes, ou que produzam no seu leite proteínas com valor terapêutico para os seres humanos.
 

 

Desta feita, as cinco porquinhas não têm o gene alfa 1,3 galactosil transferase, que comanda a produção de uma enzima que adiciona moléculas de açúcar às células de um órgão de porco transplantado para um humano.
 

 

Estas moléculas de açúcar são o alvo das células do sistema imunitário do doente, que olham para elas como estranhas e atacam o órgão, criando uma rejeição hiperaguda, poucos minutos após a operação.
 

 

Se no transplante forem usados órgãos de animais de cujo património genético foi tirado este gene, as possibilidades de sucesso aumentam. "Os ensaios clínicos [com seres humanos] poderão começar daqui a quatro anos", diz um comunicado da PPL Therapeutics. Esta experiência, no entanto, não foi ainda publicada numa revista científica, passo essencial para a sua aceitação.
 

 

A procura de terapias à base de enxertos celulares, para tratar doenças como a diabetes ou a de Alzheimer e de Parkinson, poderia valer outros seis mil milhões de dólares (6,640 milhões de euros).
 

 

Fonte: Público

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