Transplantes em Portugal não são suficientes

Alerta da Sociedade Portuguesa de Transplantação

12 fevereiro 2016
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Apesar de no ano passado ter havido um aumento no número de transplantes, ainda não se recuperou a quebra registada entre 2011 e 2012, alerta a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT).
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, as causas desta insuficiência incluem, falta de meios do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) para coordenar esta atividade, atraso no arranque do transplante em paragem cardiocirculatória, bem como discrepâncias regionais e pelo pouco aproveitamento que é feito dos rins recolhidos.
 

A SPT considera que os números mais recentes das transplantações dão sinais “positivos”, mas que “Portugal continua aquém do seu potencial de colheita e transplantação”. Segundo o IPST, em 2015 o número de transplantes aumentou 11% e o número de dadores aumentou 9,5%.
 

“Se se tivesse mantido a tendência crescente de 2009 e 2010 seguramente estaríamos melhor, mas uma discutível reformulação das responsabilidades da tutela na transplantação e algum desinvestimento em 2011 e 2012 fizeram parar e perder muito do trabalho que já estava feito pela antiga Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST)”, referiu em comunicado, o presidente da SPT, Fernando Macário.
 

O especialista defende que “ainda hoje não são completamente claras as fronteiras entre as responsabilidades da Direção-Geral de Saúde (DGS) e do IPST”, sendo que o instituto “reconhece que não tem os meios adequados para coordenar efetivamente este campo de atividade”.
 

Na opinião de Fernando Macário, os números poderiam ser melhores “se o transplante em paragem cardiocirculatória não tivesse demorado tantos anos a arrancar”.
 

O presidente da SPT refere também que as discrepâncias regionais também se mantêm. No que diz respeito ao transplante de cadáver existem unidades hospitalares que não detetam todos os potenciais dadores e colhem órgãos muito aquém do que deveriam.
 

Fernando Macário defende a necessidade de repensar a rede de coordenação da colheita, considerando que as estruturas oficiais não têm capacidade para auditar e vigiar esta atividade, os registos da atividade ainda são arcaicos e a informação não circula entre os profissionais da área.
 

O desaproveitamento de órgãos é outro dos problemas identificados, já que continua a haver uma média de 130 órgãos, principalmente rins, que são colhidos mas não são aproveitados, devido sobretudo à elevada idade média e morbilidade dos dadores.
O responsável aponta ainda a necessidade de apostar na formação de recursos humanos na área da transplantação e na melhoria das condições de algumas unidades de transplantação.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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