Transplantes de órgãos de porco

Xenotransplantes dão pistas aos investigadores sobre mecanismos de rejeição

29 julho 2001
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Cientistas norte-americanos tentaram induzir a tolerância à recepção de um órgão de porco por primatas com um transplante de células hematopoéticas da medula do dador. Estas células dão origem às células do sangue como os glóbulos brancos e os glóbulos vermelhos. As conclusões que surgiram deste método permitiem aos investigadores tirar algumas conclusões quanto a problemas comuns no transplante de orgãos entre humanos.
 

 

O xenotransplante é a transferência de órgãos de uma espécie para outra diferente, como o transplante de órgãos de porco para humanos. Este tipo de intervenções poderia resolver os problemas correntes de falta de órgãos para transplante. No entanto, acarreta grandes problemas: a rejeição imediata e maciça do órgão transplantado. Este pode ser destruído em menos de 24 horas após o transplante.
 

 

Para tentar ultrapassar este problema os cientistas pensaram transplantar, previamente ao transplante do órgão, células hematopoéticas do dador de forma a que a resposta imunitária de rejeição seja inibida. O objectivo é induzir uma tolerância de longa duração no receptor, criando uma mistura de células do dador e do receptor no sangue. Desta forma os cientistas esperam que as células de sangue transplantadas substituam aquelas do sistema imunitário do receptor, que atacam o órgão transplantado.
 

 

Foi o que a equipa fez num transplante de um órgão de porco para um babuíno. No entanto, à medida que iam aumentado as células de porco em circulação no sangue do babuíno, os cientistas descobriram que se formavam trombos nas paredes interiores dos vasos sanguíneos que danificavam os glóbulos vermelhos em circulação. Os cientistas verificavam que a condição se assemelhava a um problema comum no transplante de medula entre humanos: a microangiopatia trombótica. O que acontece é que estes trombos funcionam como uma lâmina para queijo, cortando os glóbulos vermelhos.
 

 

Assim, os cientistas acabaram por encontrar, por acidente, um modelo animal onde podem estudar este problema que afecta 14% dos pacientes que recebem medula, podendo provocar danos cerebrais, insuficiência renal e até a morte.
 

 

Este mecanismo pode ser a tradução do ataque de células do dador que atacam o novo organismo (do receptor). Também por isso é tão importante a compatibilidade entre dador e receptor de transplantes de medula.
 

 

Outra forma de tentar ultrapassar o problema original da investigação, o da rejeição de órgãos de porco, poderá ser a manipulação genética de forma a retirar dos órgãos do porco os antigénios (moléculas reconhecidas pelo sistema imunitário) que promovem a forte resposta imunitária por parte do Homem. No entanto, a estratégia da transplantação das células hematopoéticas ainda não está posta de parte.
 

 

Fonte: Nature

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