Transplantes de células da retina podem ajudar doentes com Parkinson
18 abril 2002
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Cientistas norte-americanos afirmaram que um conjunto de indivíduos num estádio avançado da doença de Parkinson apresentou progressos notáveis após a injecção de células retinais nos centros de movimento danificados nos seus cérebros.
 

 

O procedimento experimental, que foi limitado a seis doentes, permanece a uma distância de anos de uma eventual aprovação governamental que permita o seu uso clínico, afirmou o neurologista Ray Watts, que dirigiu o estudo na Universidade Emory, em Atlanta.
 

 

No entanto, os doentes envolvidos no estudo registaram melhorias nas funções motoras e uma diminuição da intensidade dos tremores que atingem os músculos em cerca de 40 por cento.
 

 

O primeiro transplante foi realizado há 21 meses e os resultados da investigação foram apresentados durante o encontro anual da Academia Norte-americana de Neurologia.
 

 

Embora numa fase preliminar, o método não apresentou até agora nenhum dos efeitos negativos de uma outra técnica experimental que recorre a células neurológicas de fetos abortados.
 

 

No estudo actual, os investigadores foram a um banco de dados e recolheram células epiteliais pigmentares da retina (RPE, da sigla em inglês) de tecidos do olho humano.
 

 

Apesar de não serem células cerebrais, as células retinais produzem dopamina, um neurotransmissor que controla o movimento.
 

 

Os doentes com Parkinson perdem gradualmente o controlo motor e sofrem de tremores, rigidez muscular e dificuldades no discurso, que pioram à medida que as suas células produtoras de dopamina morrem.
 

 

Para compensar estas perdas, os investigadores cultivaram milhões de células RPE e misturaram-nas com pérolas microscópicas de gelatina.
 

 

As células retinais, que normalmente estão fixadas em camadas na retina na parte de trás do olho, ligaram-se a estas pérolas de gelatina.
 

 

Em seguida, os médicos efectuaram cinco pequenos buracos numa parte do centro de controlo de movimentos do cérebro, conhecido como "putamen", de modo a disseminar as células transplantadas, cerca de 350.000 em cada doente.
 

 

Um mês depois, os investigadores verificaram que as células transplantadas começaram a produzir dopamina e os sintomas dos doentes melhoraram, deixando estes de requerer tanta assistência.
 

 

Entretanto, a investigação que utiliza o método de transplantes que recorre a tecido cerebral de fetos abortados (muito difícil de encontrar) está a ser afectada pelos resultados negativos registados em alguns doentes.
 

 

Se a experiência teve bons resultados em alguns doentes durante oito anos, em 15 por cento dos indivíduos as células embrionárias produziram níveis excessivos de dopamina, que resultaram em movimentos bruscos descontrolados e em outros efeitos secundários que os investigadores descreveram como trágicos.
 

 

Fonte: Lusa
 

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