Transplante: nova técnica aumenta tempo de preservação dos órgãos

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

02 julho 2014
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Investigadores americanos desenvolveram uma técnica de super-arrefecimento capaz de aumentar o tempo de preservação de um órgão antes de este ser utilizado num transplante, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

O primeiro transplante de fígado ocorreu há cerca de 60 anos atrás, desde então foram vários os transplantes realizados desde da pele, rins, coração, pulmões e córneas. Contudo, devido à escassez de dadores a lista espera é enorme.
 

A atual tecnologia é capaz de preservar o fígado fora do organismo durante um máximo de 24 horas, utilizando uma combinação de temperatura fria e uma solução química. Esta solução ajuda a manter o tecido do fígado vivo enquanto este está em trânsito.
 

Apesar desta solução química ter aumentado o número de transplantes de fígado com sucesso, se o tempo de sobrevivência do órgão fosse aumentado, haveria em última análise uma maior possibilidade de o paciente encontrar um dador mais compatível.
 

A dificuldade de aumentar o tempo de preservação dos órgãos está associada aos danos que ocorrem quando estes são criopreservados. Neste estudo os investigadores desenvolveram uma técnica que triplicou o tempo de preservação que um fígado de ratinho pode ser armazenado antes de um transplante.
 

Numa primeira fase, os investigadores do Instituto Nacional de Saúde, nos EUA, utilizaram uma máquina de perfusão para super-arrefecer o órgão sem causar danos irreversíveis às células. De forma a conseguir isto, adicionaram um composto não tóxico, o 3-OMG, que atua como protetor das células contra o frio. Foi ainda acionado outro composto, o PEG-35kD, que protege as membranas celulares.
 

Os fígados foram posteriormente arrefecidos lentamente sem indução de congelamento, super-arrefecendo o órgão para preservação. Após preservarem o órgão ao longo de vários dias, os investigadores utilizaram de novo a máquina de perfusão para aquecer o órgão, tendo fornecido oxigénio e nutrientes para o preparar para o transplante.
 

Através da utilização desta técnica, os investigadores foram capazes de armazenar os fígados dos ratinhos durante 72 e 96 horas a -6°C. Os animais que receberam os fígados armazenados ao longo de três dias sobreviveram três meses. Por outro lado, os ratinhos transplantados com o órgão armazenado pelo método habitual não sobreviveram.
 

A taxa de sobrevivência dos animais que receberam o fígado armazenado ao longo de quatro dias foi de 58%. Os investigadores constataram ainda que os compostos 3-OMG e PEG-35kD eram essenciais ao longo do processo de armazenamento, sem eles os ratinhos não sobreviviam mais do que uma semana. Caso a máquina de perfusão ou o super-arrefecimento não fossem utilizados, os ratinhos morriam uma hora após transplante.
 

“O próximo passo irá incluir a realização de estudos semelhantes em animais de maior dimensão”, conclui um das autoras do estudo, Rosemarie Hunziker.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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